A presença de Jesus
 

Para muitos, sobretudo pessoas que habitam países de largo desenvolvimento cultural, Jesus é uma figura incômoda, que precisa ser descartada juntamente com as religiões que se denominam cristãs. Consideram que o Mestre não marca mais presença no mundo.

No Canadá e Europa as igrejas estão às moscas, por conta do descontentamento geral, em relação aos crimes cometidos, em nome do Cristianismo. No rol das reclamações, a lista é considerável: Inquisição, apoio a tiranos e invasores impiedosos, guerras religiosas, perseguições a cientistas, sexualidade malconduzida, preferência por riquezas perecíveis em detrimento da defesa dos pobres, fracos e injustiçados. Sem dúvida, são ações incompatíveis com as lições do Cristo.

No entanto, como julgar tão severamente o Mestre por atos dos que se autoproclamam discípulos, mas, na verdade, são alunos relapsos? Cremos que esse julgamento simplista disfarça uma atitude comodista das almas que se apegam à lei do menor esforço.

Como esquecer Jesus, se O Novo Testamento é obra granítica, que há dois mil anos está entre nós e há cerca de seis séculos, desde a descoberta da imprensa, é patrimônio de todos, divulgando seus exemplos e lições? Como descartá-lo, sem consideração, se os seus ensinamentos não se confundem, de modo algum, com os atos de seus pretensos seguidores?

Na história de sua vida, constata-se, claramente, sua opção por uma existência simples e humilde. Embora seu nascimento tenha sido assinalado pela presença de uma estrela fulgurante, nasceu em uma simples estrebaria, tendo como berço improvisado uma tosca manjedoura. Optou por ajudar aos pobres, cegos, coxos, paralíticos, perturbados do sexo, hansenianos, loucos, enfim, descartados da sociedade, que não tinham vez, nem voz. Foi Ele quem disse “o que fizerdes a um desses pequeninos é a mim mesmo que o fazeis”, quando recomendou que os seus seguidores vestissem os nus, dessem alimento aos que têm fome, visitassem os encarcerados. Ele mesmo não tinha uma pedra onde reclinar a cabeça. Suas túnicas eram simples e toscas, feitas por sua mãe. Ensinou nas praças públicas, nos montes, nas estradas, junto ao Lago de Genesaré, distribuindo pães e peixes às multidões. Curou doentes de toda sorte. Privilegiou a caridade.

Ao longo de sua existência, demonstrou sabedoria muito acima da média, não se deteve, porém, nas academias de ciência, nem nos templos suntuosos, asseverando que Deus deve ser adorado em toda parte, mas, sobretudo, no interior do próprio coração humano. Combateu a violência, exemplificou a paz. Recolocou a orelha de Malco, decepada por Pedro, pedindo ao discípulo que guardasse a espada porque “quem com ferro fere, com ferro será ferido”. E do alto do Gólgota, na cruz injusta, perdoou aos ofensores.

A verdade é que Jesus não fundou religião nenhuma. São de falha humana os erros acoplados às suas lições. Para reconhecer isso, porém, é preciso ter “olhos de ver” e “ouvidos de ouvir”. Felizmente, uma minoria existe que, ao longo dos milênios, exemplificou suas lições, tornando este mundo melhor. Isto é possível porque Jesus está presente em cada coração que ama incondicionalmente.

 




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