Uma nova Medicina para um novo milênio

De 1997 a 2007, a Associação Médico-Espírita do Brasil realizou, a cada dois anos, o seu congresso, que ora recebe a denominação de Mednesp, por se tratar de evento nacional, ora Medinesp, por estar acoplado ao internacional, reunindo de 850 a 1.000 pessoas, interessadas nos temas de saúde e espiritualidade. Nestes 10 anos de congressos e 12 de existência da AME-Brasil, fundada em 17 de junho de 1995, foi possível acompanhar a trajetória do Movimento e aferir o progresso alcançado, principalmente a partir do último evento realizado em junho, em São Paulo.

O amadurecimento ficou evidente nos temas apresentados pelos 41 oradores brasileiros, com trabalhos científicos e teses defendidas nas universidades, aliando saúde e espiritualidade. Amadurecimento também na postura dos militantes das AMEs, claramente expresso nos assuntos discutidos na assembléia geral. A estrutura da AME-Brasil permite isso, porque todas as associações têm peso igual nas decisões e podem se expressar livremente.

É claro que as AMEs ainda são frágeis; apresentam-se como plantas tenras que estão à procura do sol do desenvolvimento. Enganam-se os que pensam que o Movimento Médico-Espírita envolve multidões; quem se propõe a dirigir tem de amargar com a defecção de muitos e, não raras vezes, com o peso da solidão, mas os que têm ideal sabem que vale a pena perseverar.
A proposta do Movimento Médico-Espírita é de mudança de paradigma. Não é apenas a de colocar em suas bases o estudo e a pesquisa da alma, a fim de ultrapassar a Medicina do corpo praticada atualmente, mas, sobretudo, a de humanizar o atendimento à saúde, incentivando o médico à vivência da solidariedade e da humildade em seu raio de ação.

O último congresso permitiu que essa proposta fosse discutida também com os oradores do exterior, o que favorece a amplitude de idéias e ações. Os médicos espíritas estão convictos de que não haverá paz para a humanidade enquanto não houver aliança definitiva entre Ciência e Religião. Com o paradigma médico-espírita, propõem essa união entre Fé e Razão, não apenas do ponto de vista teórico, mas, sobretudo, prático.

Chegou o momento em que a religião deve deixar de ser apenas um rótulo, uma bela fachada. Conscientes disso, os médicos espíritas sabem que é chegada a hora de viver o espírito de serviço, proposto por Jesus, que inclui sabedoria e amor – molas mestras do novo paradigma a ser implantado no terceiro milênio.

Que Deus abençoe seus bons propósitos!

Marlene Nobre


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