PALAVRAS DA DIRETORIA

Caros visitantes e associados,

Estamos vivendo um grande desafio para a Humanidade, onde a problemática principal está na área da saúde pública. Enfrentamos uma pandemia, experienciamos as ações agressivas e contagiosas de um vírus até então desconhecido (COVID-19), que em sua expansão não só adoece e mata as pessoas, mas colapsa os sistemas de saúde de cada país, exigindo postura pessoal e coletiva de características ímpares, possivelmente nunca cobradas de tal forma dos homens, com a premência de reconhecer a nossa fragilidade e da necessidade de buscar e nos amparar na grandeza divina.

A Associação Médico-Espírita do Brasil não poderia deixar de se manifestar neste momento, tanto para os que dela participam, quanto ao público em geral, já que fazemos parte de uma só família: a dos filhos de Deus.
Primeiramente, orientamos que todos sigam com o maior cuidado as orientações provindas da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde, lembrando que, como foi largamente divulgado, as medidas primordiais são o isolamento social é a higiene frequente e de forma correta das mãos. É a ciência está aí para nós amparar naquilo que lhe compete, evitem buscar ou escutar opiniões de não especialistas, optando por buscá-las em sites médicos oficiais.

Tais medidas não são curativas, tentam estender o tempo de contágio, evitar que um número enorme de pessoas adoeçam num só período, tirando a possibilidade de auxílio e tratamento, desestruturando o nosso sistema de saúde (já socialmente e economicamente comprometido) e, por consequência, matando mais pessoas, que poderiam ter suas vidas preservadas.

Uma informação importante para todos é que não existe tratamento para doença com eficácia comprovada em todo o mundo; uma vacina não ficará pronta antes do término desta pandemia e as únicas ações de resultados positivos são o isolamento social e a higienização frequente das mãos. E que diante do medo, angústia e sensação de impotência que nos envolve e envolverá neste período, mais do que nunca, teremos que buscar e nos fortalecer na fé, enchendo nossos espíritos de esperança e oferecer do que temos materialmente e na alma aos mais necessitados.

Lembramos a todas as associações médicos-espíritas que a orientação para a suspensão de atividades presenciais em nossas instalações persistem, como foi encaminhada para todos. No entanto, a internet permite-nos hoje a nos reunirmos de outras formas.

Temos clareza de que as medidas tomadas são necessárias e terão repercussões econômicas e sociais graves, mas segundo um dos principais direcionamentos das Associações, a vida é um dom de Deus e temos a responsabilidade de lutar pela preservação da vida, antes de tudo. Não nos esqueçamos, ainda, das consequências psicológicas e as espirituais.

O homem é um ser integral e tudo que atinge uma das suas dimensões repercute nas outras e como espíritas temos que lembrar que existem causas anteriores para que estejamos encarnados neste momento, vivendo este desafio tão importante. E mais, que a vivência da espiritualidade intrínseca será uma estratégia fundamental para a crise de tal profundidade.

Muitos recursos foram colocados na internet para estimular estas práticas espirituais, as quais podem reduzir o estresse causado pelo distanciamento social, ocupando-nos com coisas úteis e belas.
Recordamos aqui dois aspectos importantes para uma associação que integra profissionais da área de saúde.

Apesar do medo que envolve a todos, fomos formados e juramos cuidar da saúde das pessoas, mesmo ao preço de nosso próprio sacrifício (como o próprio Cristo nos concitou em seus ensinamentos). Não é cabível que um profissional da saúde se recuse a ir para a linha de frente, se recluse em sua casa e deixe os doentes sem cuidados.

Além das ações diante da pandemia, as outras doenças persistem e não deixarão de existir, exigindo cuidados dos profissionais de saúde e os pacientes confiam em nossas pessoas e necessitam da ajuda que só nós podemos oferecer. Precisamos nos manter em atividade, pois somos “atividade essencial” no tempo desta pandemia, mesmo que esta atividade ocorra em tempo reduzido nos ambulatórios e consultórios particulares. A maioria da nossa paciente e sua familiar tem-nos a conta de faróis durante a turbulência em suas vidas.

Por outro lado, precisamos cuidar dos aspectos espirituais e sustentar nossas atividades doutrinárias e de assistência e de vibrações durante a pandemia, mesmo à distância. Com a certeza de termos este compromisso, não neguemos auxiliar aos que precisam, sem deixar de cuidar dos colegas, que precisarão dos nossos esforços e orações e de buscar nossas forças na vivência do bem.

Portanto, é hora de muito trabalho para os profissionais da área de saúde, é oportunidade de testemunho, de caridade, de abnegação, mas também de fé e esperança, num momento de tanta dor e sofrimento.
Sigamos à frente, no exercício aprimorado do amor! Deus nos ampara e recordando um ensinamento comum de Chico Xavier: “ tudo passa”.


Roberto Lúcio Vieira de Souza é vice-presidente da AME-Brasil, psiquiatra e diretor clínico do Hospital Espírita André Luiz, em Belo Horizonte – MG.