PALAVRA DA DIRETORIA

Estamos em setembro, o mês amarelo segundo a Organização Mundial de Saúde, dedicado ao tema suicídio. E a AME Brasil não poderia eleger outro tema para a nossa conversa, pela área a qual se dedica.
O suicídio tem se tornado cada vez mais um problema de saúde pública, portanto, como problema, cheio de desafios e dificuldades, mas também com recursos que podem reduzir a sua gravidade e incidência.
O aumento do número de suicídios ou de tentativas pode ser explicado por diversos fatores, mas gostaríamos de realçar duas situações importantes. A primeira é a depressão e a segunda, a realidade atual do planeta, nos seus aspectos socioeconômicos, psicológicos e espirituais.

É importante lembrar que a cada 4 segundos uma pessoa tenta se matar no mundo; e a cada 40 segundos, alguém consegue o intento letal do ato. Embora chocantes, são dados reais que exigem atenção e cuidados da parte de todos nós.
O número de maiores de 60 anos que participam dessa estatística é grande, mas o maior agravante é o aumento progressivo de adolescentes e adultos jovens neste contexto.
De um lado, fica a realidade que não pode ser negada, do outro o que fazer.

A maior causa do auto extermínio é a depressão. Segundo as estatísticas, aproximadamente 70 por cento das tentativas acontecem quando a pessoa encontra-se na fase depressiva. Não podemos nos esquecer de que a depressão é hoje uma epidemia, sendo a maior causa de afastamento do trabalho no mundo. Além disso,em poucos anos se tornará uma das maiores causas de mortalidade, se não a primeira, segundo as previsões da OMS.
Desse modo, o índice de suicídio tende a aumentar, atingindo cada vez mais os lares e famílias. Um fato positivo é que existe tratamento para a depressão e é importante que ela seja identificada o mais breve possível, para maior efetividade do tratamento. Um desafio ainda presente é o do preconceito. Continua a existir uma cultura, ou melhor, uma falsa cultura de que a depressão é uma questão moral e entre as justificativas estariam a falta de serviço e a falta de fé. Nada disso é verdadeiro e isso se transforma num dos maiores entraves para a busca de um especialista para o início do tratamento e na utilização de um instrumento primordial para a prevenção do suicídio.

Outra situação real é a condição geral do planeta, onde conflitos socioeconômicos e a precariedade das relações familiares tornam-se cada vez mais constantes e com maior ausência de afetos saudáveis. A necessidade da sobrevivência social leva mais e mais à ausência dos pais, um grau de abandono da prole e à vivência solitária por parte da população que envelhece. Fatores que por si só causam tristeza, insegurança, infelicidade, desespero e o desejo de fugir da realidade, das formas mais infelizes possíveis.
Soma-se a tudo isso, pela condição emocional estressante e infeliz da população, a sintonia com as dimensões espirituais do planeta, vinculadas as mesmas expressões de afeto, provocando outra grande epidemia, nas palavras de Manoel Philomeno de Miranda, através da mediunidade de Divaldo Franco, que é a depressão.
A procura de um tratamento médico e psicológico é fundamental , pois tratando a depressão, estaremos evitando milhares de tentativas de suicídio. Mas é fundamental ter em mente que a vivência da religiosidade e da espiritualidade são instrumentos para a prevenção e tratamento para os que pensam ou buscam se matar, como demonstra inúmeros artigos científicos sobre o tema.

Neste sentido, o Espiritismo em seus princípios básicos pode e auxilia na compreensão da gravidade do ato diante da Lei Divina, das consequências funestas para os que conseguem se matar e oferece uma rica terapêutica complementar para ajudar o indivíduo, esteja ele em que estágio for do adoecimento.
Ressaltando o tema nesta página inicial do nosso site, neste mês, esperamos alertar e convidar para uma maior compreensão do tema, facilitando na busca do tratamento integral do ser.
Seja sempre bem vindo ao nosso site!

Roberto Lúcio Vieira de Souza é psiquiatra e vice-presidente da AME-Brasil