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"O ABORTO, MESMO TERAPÊUTICO, É IMORAL"
(Folha Espírita - Janeiro/2005)
Em recente passagem por Votuporanga (SP), o médium
Divaldo Pereira Franco, que tem aproximadamente 200 livros mediúnicos
publicados, com tiragem superior a 5 milhões de exemplares, concedeu
entrevista à Folha Espírita, falando sobre sexo irresponsável,
aborto, anencefalia, relações sexuais entre irmãos
e uso de tóxicos entre os jovens.
Folha Espírita –
Quais conse- qüências traz para seus praticantes o uso do sexo
com irresponsabilidade, como temos visto?
Divaldo Pereira Franco – O sexo, como
qualquer outro órgão que constitui a maquinaria orgânica,
deve ser utilizado com o respeito que devemos dedicar aos demais mecanismos
fisiológicos. Encarregado de perpetuar a espécie, a sua
prática reveste-se de significados profundos, por ensejar a reprodução,
particularmente na espécie humana. Igualmente portador de hormônios
fisiológicos e psicológicos, pelo prazer que proporciona,
merece o envolvimento do amor, sem o qual se torna automatismo orgânico
destituído de mais elevada conseqüência. Ademais, pelo
fato de envolver outra pessoa, quando nos relacionamentos saudáveis,
sempre se torna responsável pelos efeitos psicológicos que
vinculam uma à outra. A sua utilização promíscua
e irresponsável sempre gera distúrbios morais, sociais e
emocionais profundos, de que padece a nossa sociedade, alguns dos quais
serão transferidos para o além-túmulo.
FE – Muitas crianças
estão nascendo a partir da gravidez involuntária ou indesejada
de pais jovens que não assumem a responsabilidade de um casamento.
Haverá prejuízo para o filho sendo criado sem a estrutura
de um lar ou mesmo por avós?
Divaldo – O sexo deve ser exercido quando
o indivíduo alcança a maturidade biológica e emocional,
ao tempo em que, responsável pela procriação, exige
que os parceiros estejam em condições de educar a prole
que resulta da comunhão física entre ambos. Naturalmente,
os progenitores têm compromisso com aqueles espíritos que
são trazidos à reencarnação, em face dos vínculos
que vigem entre todos, no natural desdobramento da evolução.
Quando são abandonados esses filhos, é compreensível
que venham a sofrer transtornos de várias ordens: revolta, conflitos,
insegurança, experimentando o risco de derraparem nos vícios
ou na criminalidade. Quando os avós assumem os encargos em lugar
dos pais, embora o gesto de nobreza e de abnegação, de alguma
forma substituindo os faltosos, os descendentes, ainda assim, experimentam
o drama do abandono a que foram relegados pelos pais, podendo tornar-se
instáveis emocionalmente e, mais tarde, pais conflitivos.
FE – Muitos jovens,
ao constatarem a gravidez, fazem a opção pelo aborto. Eles
responderão espiritualmente por tal deliberação?
Divaldo – Sem a menor dúvida.
Desde que tiveram a lucidez para a prática do ato sexual, conhecedores
que dela pode advir à concepção, igualmente sabendo
dos diversos instrumentos que impedem a fecundação –
com raras exceções, são ignorantes a esse respeito
– não têm o direito de cometer o crime, porquanto são
responsáveis pelo ser em formação. Somente existe
uma exceção para a prática do aborto, aquela em que
a gestante corre perigo de vida. Em todas as outras, mesmo quando considerado
legal em algumas nações, o aborto continua imoral, inclusive
no denominado aborto terapêutico.
FE – Como poderá
reagir o espírito reencarnante ao sofrer o aborto?
Divaldo – Estando consciente da ocorrência,
rebela-se e busca vingança, na ignorância moral em que se
encontra, por compreender que lhe foi negada a oportunidade de evoluir.
Não são poucos os casos de obsessões que têm
a sua gênese no aborto provocado. Quando não consciente,
o espírito sofre o ato cruel e imanta-se por afinidade com aquela
que o expulsou do sacrário materno, ligando-se depois, também,
ao homem que foi motivo do crime hediondo.
FE – Divaldo,
no caso de se saber que o feto em formação sofre de anencefalia,
será aceitável o abortamento?
Divaldo – De forma alguma. Em realidade,
segundo o conhecimento médico, o anencéfalo tem vida breve
ou nenhuma... Assim sendo, por que interromper o processo reparador que
a vida impõe ao espírito que se reencarna com essa deficiência?
Será justo impedi-lo de evoluir, por egoísmo da gestante?
FE – O Poder
Judiciário vem autorizando o abortamento em caso de anencefalia.
Como o senhor vê esse precedente?
Divaldo – É sabido historicamente
que, antes de decretar a matança dos judeus e de outros povos,
sistematicamente, Hitler e os seus sequazes legalizaram, na Alemanha,
o aborto, logo depois, a matança dos indivíduos pertencentes
a raças que consideravam inferiores, exaltando o biótipo
germânico. Logo depois, na mesma sede de sangue e na alucinação
que deles tomou conta, estimularam os pais que tinham filhos deficientes,
até mesmo aqueles que apenas sofriam de enurese noturna, para que
os enviassem às câmaras de gás e aos campos de extermínio,
a fim de depurarem a raça alemã... Penso que a legalização
desse crime ensejará passos mais audaciosos, no futuro, em favor
da prática do aborto generalizado, o que será muito lamentável.
FE – Não
é torturante para a mãe saber que carrega no ventre um ser
que não viverá?
Divaldo – Acredito que sim. Trata-se de
um sofrimento programado pelas Soberanas Leis da Vida que a futura mãe
necessita, o que merece nosso maior apoio e solidariedade, a fim de lhe
atenuarmos as angústias. No entanto, não podemos olvidar
que, estando consciente de que irá matar o filho em formação,
embora portador de deficiência, experimentará, certamente,
conflito muito sério, que, não sendo hoje, ressurgirá
mais tarde, quando o declínio dos anos convidá-la à
reflexão. Muita falta faz à humanidade o conhecimento do
Espiritismo, que ilumina as mentes, explicando as razões das ocorrências
terrestres, e consola os corações, confortando-os, a fim
de que se submetam às Leis de Deus com coragem e confiança.
FE – Com tantas
trocas de parceiros sexuais, em que muitas crianças nascem sabendo
pouco sobre o pai, não correremos o risco de, no futuro, acontecerem
relacionamentos sexuais entre irmãos que não se conhecem?
Divaldo – Infelizmente isso já
tem acontecido, inclusive no bairro em que se encontra a Mansão
do Caminho, em Salvador... É certo que o desconhecimento do genitor
quase sempre gera conflito no filho, que se sente sem identidade masculina,
não raro mergulhando em abismos depressivos. Em razão do
número crescente de filhos descendentes de diversos progenitores,
podem ocorrer, por uma ou outra razão, relacionamentos sexuais
imprevisíveis.
FE – Divaldo,
grande parte dos nossos jovens faz uso de álcool e outros tóxicos,
em grande escala. A situação é extremamente perigosa
e preocupante. Onde estaria o nascedouro de tanto desatino?
Divaldo – Indubitavelmente,
deparamo-nos com uma sociedade portadora de desequilíbrios crescentes,
nada obstante as grandes e notáveis conquistas da ciência
e da tecnologia. Os valores ético-morais diminuem na razão
em que aumentam as facilidades de comunicação, enriquecimentos
ilícitos, tramas hediondos, subornos, tráfico de drogas
e uso legal de álcool. Igualmente, segundo os benfeitores espirituais,
a Terra vem recebendo verdadeiras legiões de espíritos sofredores
e primários, que se encontravam retidos em regiões especiais
e agora estão tendo a oportunidade de optar pelo bem de si mesmos.
Da mesma forma, surge-nos o ensejo feliz para os enfrentamentos entre
os valores morais e as aberrações, a tradicional luta entre
o bem e o mal. A família encontra-se extenuada, quando não
desagregada e, por conseqüência, os filhos sofrem os desajustes
dos pais imaturos, irresponsáveis ou inseguros, que os abandonam,
mesmo quando estão em casa. Confiados uns a empregados remunerados
para cuidarem da sua educação, vivem sem amor, confinados
aos jogos eletrônicos, às babás televisivas, algumas
destituídas de significados morais para servirem de exemplo, enquanto
que, bombardeados pela ilusão, pelo engodo do prazer, pela visão
do luxo e da fantasia, são solidários que experienciam conflitos
que, mais tarde, buscam solução no álcool ou nas
drogas aditivas. Sem resistências morais, que não foram trabalhadas,
tombam no vício, o que é inquestionavelmente muito doloroso.
A solução para esse magno problema é a educação
moral, no lar, na escola, na sociedade, o exemplo de dignidade das famílias
e das criaturas em geral.
FE – O que as famílias
podem fazer para direcionar bem seus filhos, tornando-os homens de bem?
Divaldo – Amá-los, assisti-los, conviver
com eles, oferecer-lhes exemplos de honradez e elevação,
orientá-los religiosamente, a fim de que se lhes instalem na mente
e no coração a certeza da presença de Deus em tudo
e da imortalidade do espírito pelo rumo da evolução.
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