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ORQUESTRAÇÃO EQUIVOCADA
(Folha Espírita - Janeiro/2005)
O Governo Federal deu a largada para uma poderosa campanha
em favor da legalização do aborto no País: criou
um grupo para discutir modificações na legislação.
Os resultados não se fizeram esperar: com status de ministra, a
feminista Nilcéia Freitas, da Secretaria Especial de Políticas
para as Mulheres, já fala em ampla (?) consulta à sociedade,
enquanto o seu colega, o ministro da Saúde, Humberto Costa, apressou-se
em enviar aos profissionais da rede pública uma norma fixando critérios
para o atendimento às mulheres “em processo de abortamento,
espontâneo ou induzido...”. Some-se a isso, a declaração
favorável do ministro Nelson Jobim e a liminar de seu colega Marco
Aurélio Mello, quando presidente do Supremo Tribunal Federal, que
permitiu o livre abortamento do anencéfalo, por cerca de cinco
meses, até que seus pares a anulassem por considerá-la inconstitucional.
A tudo isso deve-se acrescentar ainda o destaque especial
da mídia às entrevistas dos médicos que, habitualmente,
são ardorosos defensores da prática do aborto. O quadro,
portanto, não deixa a menor dúvida: há uma guerra
orquestrada ao artigo primeiro da Constituição brasileira
que garante o Direito à Vida, desde a concepção.
Mais que isso: o governo atua, de fato, como se o aborto já estivesse
legalizado.
Ainda bem que o procurador-geral da República,
Claudio Fonteles, declarou-se contrário até mesmo ao aborto
feito por mulher que engravidou num estupro, afirmando que deveria ser
considerado crime. Como se vê, é preciso mesmo fazer ampla
consulta ao povo brasileiro, antes de tomar medidas que contrariem a sua
natureza branda e pacífica.
Vamos continuar repetindo à exaustão:
há razões científicas contra o aborto. A vida é
um bem outorgado. Por detrás de todo esse processo extremamente
complexo, há um Planejamento Inteligente, impossível de
ser negado. Nem de longe, nem de perto, o cientista conseguiu criar vida
em laboratório. Por que sonegar esses dados importantes? Quando
se dará o debate amplo, democrático e pluralista tão
ao gosto dos formadores de opinião? Ou será que é
mais cômodo taxar tudo de dogma religioso para evitar o debate mais
profundo?
Esperamos que predomine o bom-senso. |