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UNIÃO DO ESPÍRITO ACONTECE NA CONCEPÇÃO
(Folha Espírita - Maio/2004)
Os espíritos foram muito claros, nos séculos
19 e 20, ao indicarem que é no instante da concepção
ou fertilização que se dá a união do espírito
com a matéria. Apesar disso, o assunto ainda gera dúvidas
no próprio meio espírita. Para elucidar de vez este assunto,
a Folha Espírita ouviu a médica ginecologista e presidente
das associações médico-espíritas do Brasil
e internacional, Marlene Nobre, também autora do livro O Clamor
da Vida, que discute argumentos científicos contra o aborto, entre
eles justamente o de que o espírito “já está
lá na hora da concepção”.
Segundo Marlene, não há dúvida
de que a união do espírito com a matéria se dá
no momento da concepção ou fertilização, ou
seja, no instante em que se fundem os núcleos dos dois gametas,
o do óvulo e o do espermatozóide. E, de acordo com ela,
isso é válido para a fertilização normal e
artificial. “A questão 344 de O Livro dos Espíritos
afirma exatamente isso. E no capítulo XIII do livro Missionários
da Luz, o médico André Luiz, através de Chico Xavier,
descreve o momento exato em que o espírito reencarnante assume
o ovo ou zigoto – o instante da concepção –
imprimindo-lhe suas próprias características e modelando,
a partir daí, o novo corpo físico”, aponta Marlene.
A médica também afirma que no capítulo XI de A Gênese,
principalmente o item 18, Allan Kardec descreve-o da mesma maneira.
“Estamos certos de que, tanto na fertilização
normal quanto na artificial, o processo reencarnatório é
o mesmo, visto que não há dois pesos e duas medidas nas
leis do Criador. Aos que supõem que a união só se
dá na nidação, ou seja, no instante em que o ovo
ou zigoto se aninha no útero, perguntamos: se o perispírito
do reencarnante age como modelo organizador biológico, escolhendo
o genoma e modelando o embrião, quem assumiria esse papel essencial,
do instante da concepção à nidação?
Sim, porque nesse período de vital importância, além
da escolha e configuração do genoma já se deram as
primeiras divisões da célula-ovo. Tendo em vista que somente
o espírito tem o poder de agregar matéria e o faz valendo-se
do seu magnetismo pessoal, que é único e intransferível,
não podemos aceitar a hipótese de outro momento de união
que não seja o da concepção”, completa.
O Clamor da Vida
No livro O Clamor da Vida (Editora
FE, 2000), Marlene Nobre trata de assuntos ligados à origem da
vida em nosso planeta e também da fase embrionária do ser,
coletando argumentos bioéticos contra o aborto provocado. “
Entre os autores que pesquisei, considero a definição dos
embriologistas Moore e Persaud como uma das mais importantes para o nosso
estudo”, diz Marlene. Eles dizem que “o desenvolvimento humano
é um processo contínuo que começa quando um ovócito
de uma mulher é fertilizado por um espermatozóide de um
homem. O desenvolvimento envolve muitas modificações que
transformam uma única célula, o zigoto (ovo fertilizado),
em um ser humano multicelular”.
É por isso que, segundo a presidente da Associação
Médico-Espírita Internacional, o instante da união
é de vital importância para a escolha do anticoncepcional.
“Há os que defendem, por exemplo, como sendo anticoncepcionais,
substâncias que impedem a divisão e nidação
do ovo. Para nós, porém, que consideramos a concepção
como ponto inicial, essas substâncias são abortivas. Este
é o caso da chamada ‘pílula do dia seguinte’
que é abortiva em sua forma de ação”, declara
Marlene. Do mesmo modo, segundo ela, ainda não está claro
o mecanismo de ação do DIU, porque pode ocorrer uma gravidez
na vigência dele. E se ocorrer a gestação, há
54% de chance de se perder o feto. “Aos que preferem o DIU e são
espíritas, temos recomendado a combinação com outro
método, como a camisinha, por exemplo, no período considerado
fértil”, afirma. |