Mais de cinco mil pessoas  participam da I Caminhada em Defesa da Vida, promovida pelo Comitê Cearense Brasil Sem Aborto, no dia 28 de maio de 2007

Movimentos religiosos, autoridades públicas e sociedade civil se uniram em ato contra a legalização do aborto
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Mais de cinco mil pessoas caminharam pela Av. Beira-Mar na manhã de ontem em prol da vida e contra o aborto. A I Caminhada em Defesa da Vida, promovida pelo Comitê Cearense Brasil Sem Aborto, reuniu pessoas de diferentes credos, crenças e posicionamentos políticos que concordam em um único ponto: a vida é o maior bem da humanidade.

O discurso que se posiciona contra a legalização do aborto tem como suporte ideológico a mensagem de pacifistas como Madre Tereza de Calcutá e Mahatma Gandhi, mas se apoia também em uma estatística preocupante, a de que 800 mil abortos são induzidos anualmente no Brasil.

A vendedora Ana Girlly Pereira Silva, de 29 anos, poderia muito bem constar nesses números, caso ela não tivesse um posicionamento forte.

Ana Girlly conta que aos 21 anos, quando engravidou pela primeira vez, não faltaram conselhos que conduziam à realização de um aborto. Uma amiga dela chegou a comprar um medicamento para induzir o ato, mas a vendedora optou pelo filho, apesar de toda a adversidade financeira, social e até mesmo médica, pois a gravidez foi muito complicada. “Eu acho que não tem nada que justifique você impedir uma vida de vir ao mundo”, avalia ela.

Além de ser um crime — como pontua Maria do Carmo Gurgel, coordenadora do Comitê Cearense Brasil Sem Aborto —, a interrupção de uma gravidez por vontade própria traz sérias conseqüências para as mulheres. Uma delas é o sentimento de culpa que acompanha muitas delas a vida inteira. “É uma dor que substitui outra. É uma dor sem esperança”, destacou ela.

Relatos

Maria do Carmo compara que enquanto os relatos de muitas mulheres que praticaram aborto são de arrependimento, para aquelas que resolveram manter a gravidez, os filhos são tidos como bênçãos divinas. Para a coordenadora do Comitê Cearense, a morte de mulheres em decorrência da prática do aborto é uma vingança da natureza.

“O aborto é uma violência contra o extinto da preservação da espécie. Quando você viola essa lei natural, as conseqüências são seríssimas”, afirmou.

Representantes da Igreja Católica, de Igrejas Evangélicas e da Federação Espírita do Estado do Ceará participaram da Caminhada. Famílias inteiras compareceram ao evento e muitos jovens cobram mais discussões públicas sobre o tema. “Temos que refletir com princípios sérios, que tomem a vida como prioridade”, destaca o estudante universitário Geilson Cajuí Lauriano.

Ele mora no bairro Álvaro Weyne e sente a necessidade de que os parlamentares, sobretudo os cearenses, publiquem seus posicionamentos para que a população saiba quem é a favor do aborto e quem é contra. Mas, particularmente, Geilson se posiciona contra a legalização, pois acredita que essa medida banalizaria a prática do aborto.

No dia 15 de agosto deste ano, o Comitê Nacional Brasil Sem Aborto realizará um ato público em Brasília. Já no dia 11 de setembro, Fortaleza colocará o tema em público novamente com a Caminhada do Movimento Internacional pela Paz e Não Violência. Será mais uma oportunidade de aprofundamento de reflexões e esclarecimentos sobre o tema.

Naiana Rodrigues
Repórter