Quem financia o aborto ilegal no Brasil - 1ª Parte

(por Redação MSM em 12 de setembro de 2007 )

Resumo: Para o grande público, no qual estão incluídos a maioria dos políticos e responsáveis pelo destino das nações, a explosão da pressão pela legalização do aborto parece ser um fenômeno natural, conseqüência inevitável do desenrolar da história. 

Está novamente para ser votado na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados em Brasília um projeto de lei que tramita sob o nome de PL 1135/91. De autoria do governo Lula, o projeto pretende legalizar no Brasil o aborto, por qualquer motivo, durante todos os nove meses da gravidez.

O projeto, que pretende legalizar o aborto de modo a transformá-lo em um direito e torná-lo totalmente livre para qualquer caso durante todos os nove meses da gravidez, foi elaborado pela Comissão Tripartite organizada pelo governo do presidente Lula na primeira metade do ano de 2005. Por causa da pressão da sociedade brasileira que se posicionou contra o mesmo, o projeto não conseguiu ser votado em 2005, foi desarquivado no início de 2007 a pedido do deputado José Genoíno e será votado nas próximas semanas no Congresso Nacional.

No dia 27 de junho de 2007 foi realizada na Câmara dos Deputados uma audiência pública sobre o PL 1135/91 na qual foram ouvidas duas autoridades a favor da vida e duas autoridades a favor do aborto. O resultado foi vergonhoso para os que tentaram defender o aborto mas, como sempre, nada foi publicado pela imprensa. A favor do aborto estavam a ex deputada Jandira Feghali, relatora anterior do projeto em discussão que pretende legalizar o aborto durante todos os nove meses da gravidez até o momento do parto, e o Dr. Adson França, falando em nome do Ministro da Saúde. A favor da vida estavam a Dra. Zilda Arns, médica pediatra, ex candidata ao prêmio Nobel da Paz pelo seu trabalho junto à Pastoral da Criança, e a Dra. Marli Virgínia Nóbrega, médica obstetra na rede pública de Brasília.

Contestando o Ministro da Saúde, que afirma que o problema do aborto é um problema de saúde pública, a Dra. Marli denunciou que a imposição do aborto é na realidade uma questão de controle demográfico que está sendo planejado por organizações externas ao Brasil. Após mostrar em um gráfico as projeções populacionais da ONU para o ano de 2300, uma das quais prevê uma redução populacional de 6 bilhões de habitantes para apenas 2 bilhões, o que não poderia supor-se que se daria espontaneamente, sendo portanto uma projeção que pressupõe um trabalho de implantação do aborto e do controle da natalidade, a Dra. Marli afirmou que a pressão para a legalização do aborto existe por causa de "ações que tem origens principalmente externas ao Brasil que visam a redução da população brasileira independentemente da opinião pública do Brasil e dos deputados que estarão votando as leis. Trata-se de uma imposição externa de políticas de controle populacional sobre uma população que é  contrária à sua prática. Não é, de modo algum, planejamento familiar, [nem uma questão de saúde pública]. Os organismos que estão trabalhando internacionalmente pela aprovação do aborto são as fundações [que planejam e financiam as ações] e as organizações não governamentais [que as executam] e que promovem tudo isto com enormes somas de dinheiro, como as Fundações Ford e Rockefeller entre as fundações e a Rede Feminista de Direitos Sexuais e Reprodutivos, a Benfam e o IPAS, entre as ONGs".

A Dra. Marli acrescentou que afirma-se que o projeto de legalizar o aborto é atribuído ao propósito de acabar com o aborto clandestino, que seria a causa das mortes maternas que supostamente querem diminuir-se. "Mas quais são as causas do aborto clandestino no Brasil?", perguntou a Dra. Marli. "Quando estudamos a documentação referente a este assunto", continuou a médica, "verificamos que as instituições que trabalham em favor da legalização do aborto são as mesmas instituições que financiam as clínicas de abortos clandestinos. Primeiro elas financiam a implantação das clínicas. Depois querem legalizar o aborto para acabar com o problema que elas próprias criaram. Isto não é direito reprodutivo!".

Durante o debate que se seguiu entre parlamentares e expositores, a deputada Cida Diogo, que vota a favor da legalização do aborto, afirmou "suspeitar das afirmações de financiamento externo que estão sendo ouvidas no plenário".

"Eu sou médica", afirmou a deputada, "fui deputada estadual por dois mandatos e agora deputada federal e em nenhum momento recebi financiamento nem dinheiro de organizações internacionais para defender o direito das mulheres. Acho um absurdo alguém fazer insinuações deste nível, sugerindo que um debate como este esteja sendo financiado por interesses escusos que não o da saúde das mulheres".

O áudio das conferências e debates da audiência pública do dia 27 de junho de 2007 pode ser ouvido abrindo o site

http://imagem.camara.gov.br/internet/audio/
ou os arquivos de som das duas conferências acima mencionadas podem ser baixados diretamente destes endereços:
Dra. Zilda Arns:
http://imagem.camara.gov.br/internet/audio/mp3/
T00010167p18p18183752.mp3

Dra. Marli Virgínia:
http://imagem.camara.gov.br/internet/audio/mp3/
T00010167p45p45183920.mp3


O financiamento que a deputada Cida Diogo, por um lamentável e total desconhecimento dos fatos reais ou talvez apenas como um artifício de retórica para confundir o público, afirma ser uma hipótese absurda é uma realidade tão bem conhecido que não pode ser mais ocultada nos dias atuais em que as informações já são amplamente acessiveis a todos.

Algumas destas organizações financiadas internacionalmente estavam presentes na segunda audiência pública sobre o PL 1135/91, realizada na quarta feira dia 29 de agosto de 2007 no plenário 2 da Câmara dos Deputados. Neste dia ali estava defendendo o projeto a ONG Católicas pelo Direito de Decidir, conhecida promotora do direito ao aborto e também da aprovação deste infame projeto de lei, a qual admite ela própria que mais de 99% de seu orçamento disponível para promover a difusão e a legalização do aborto não provém de brasileiros, mas de doações de instituições estrangeiras. Os relatórios anuais da Fundação Ford, uma das principais financiadoras mundiais da legalização do aborto, mostram que praticamente todos os anos foram feitas doações da ordem de diversas centenas de milhares de dólares à sede central das Católicas pelo Direito de Decidir em Washington e às suas filiais nos países da América Latina. As doações à regional brasileira nunca são inferiores a cem mil dolares ao ano. Em 2003 a sucursal brasileira das Católicas recebeu, apenas da Fundação Ford e somente para o trabalho de um ano, sem mencionar o montante recebido de outras fundações, um total de U$ 430 mil dólares. As Católicas pelo Direito de Decidir foram fundadas em 1993 no Brasil graças ao apoio financeiro da Fundação MacArthur, que durante os anos 90 investiu 36 milhões de dólares na implantação do aborto no Brasil, este montante não incluindo outros programas similares que estavam sendo desenvolvidos pela mesma Fundação no México, na Índia e na Nigéria.

Uma longa entrevista autobiográfica concedida e publicada recentemente por Frances Kissling, fundadora das Católicas pelo Direito de Decidir mostra, em seus numerosíssimos detalhes, a onipresença das fundações que financiam internacionalmente o aborto, e como o fazem movidos por uma ideologia totalmente diferente daquela que anima os próprios agentes que aparecem para o público como sendo os promotores do aborto. São estas fundações internacionais que há décadas traçam as estratégias e financiam os trabalhos que serão realizados pelas organizações locais, as únicas que terão alguma visibilidade e mesmo esta apenas para um público reduzido. Para a grande maioria do povo nem mesmo estas organizações aparecem, apesar de serem contadas em várias centenas no Brasil e em muitas milhares no estrangeiro, e estarem espalhadas por todo o globo em uma rede estrategicamente coesa, coordenada pelo financiamento das grandes Fundações. Para o grande público, no qual estão incluídos a maioria dos políticos e responsáveis pelo destino das nações, a explosão da pressão pela legalização do aborto parece ser um fenômeno natural, conseqüência inevitável do desenrolar da história, da expansão das comunicações ou do desenvolvimento político, contra o qual nada pode ser feito porque nada haveria para ser feito.

Nota Redação MSM: Para informações complementares e mais detalhadas sobre o tema recomenda-se a leitura do artigo Feminismo, reeducação sexual, aborto e as fundações no contexto brasileiro. Nele os leitores poderão acessar um amplo Mapa das Redes feministas, e verificar, dentre outras coisas, suas fontes de financiamento.