Quem financia o aborto ilegal no Brasil - 2ª Parte

(por Redação MSM em 13 de setembro de 2007)

Resumo: Um bilionário programa para deter o crescimento da população no terceiro mundo foi o maior programa de "ajuda externa" já desenvolvido pelo governo federal americano em toda a sua história depois do Plano Marshall.

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Poucos porém conhecem o gigantesco trabalho que esta máquina descomunal desenvolve no Brasil para promover o aborto e o quanto ela penetrou em todas as instâncias estratégicas da política governamental, mesmo contra a opinião da maioria do povo brasileiro, que é esmagadoramente contra não somente a prática como também a legalização do aborto. Muito menor é o número dos que conhecem as Fundações que, sediadas no estrangeiro, elaboram e promovem a estratégia e o trabalho que deverá ser implantado no Brasil.

A entrevista original de Kissling pode ser lida em inglês no site
http://www.smith.edu/libraries/libs/ssc/prh/transcripts/kissling-trans.html
Um condensado em português da mesma pode ser obtido no endereço
http://www.pesquisasedocumentos.com.br/Kissling.doc

Após ter abandonado sua vocação religiosa em um convento católico, Frances Kissling tornou-se proprietária de uma clínica de abortos em Nova York. Foi chamada em seguida pelas Fundações que financiam a promoção do aborto no mundo para dirigir-se à Itália e convencer as feministas italianas e o Partido Radical, já responsável na época pela aprovação do divórcio e naquele momento tentando obter a legalização do aborto no país, a aceitar dinheiro americano para o estabelecimento de uma rede de clínicas clandestinas de aborto. Na segunda metade dos anos 70 Kissling também trabalhou para o IPAS, uma ONG atualmente atuando também no Brasil, na abertura de clínicas de aborto clandestino na América Latina. Depois disso, antes de fundar as Católicas pelo Direito de Decidir, Kissling foi ainda diretora dos três principais sindicatos de provedores de abortos nos Estados Unidos.

O papel decisivo das Fundações que não aparecem ostensivamente fica evidenciado na entrevista de Kissling quando esta afirma ter-se visto envolvida no centro de uma disputa entre os vários sindicatos de provedores de aborto dos quais ela havia sido diretora e como a controvérsia acabou finalmente sendo dirimida não pelo consenso entre os próprios envolvidos, mas pelo fato de que, em um determinado momento, as Fundações, em particular o milionário do petróleo John Rockefeller III, intermediado por Kissling, decidiram financiar pesadamente apenas um dos lados envolvidos, o qual acabou vencendo em poucos meses aos demais. Finalmente Kissling abandonou os sindicatos e resolveu dedicar-se apenas à organização da rede internacional das Católicas pelo Direito de Decidir. O nome é propositalmente enganoso, pois em primeiro lugar o objetivo da organização não é o de legalizar o aborto, mas principalmente derrubar a moralidade relativa ao aborto, tendo como alvo principal a Igreja Católica e,em segundo lugar, o trabalho somente decolou, segundo as próprias palavras de Kissling, não por causa do envolvimento da Igreja Católica ou do engajamento dos católicos, mas após o início do patrocínio financeiro pesado das grandes Fundações. Este iniciou-se através de uma doação, inicialmente simbólica, de 20 mil dólares por parte da Fundação Ford. A doação era insignificante mas, no dizer de Kissling, "isto representou um ponto de virada, isto é, o fato de ter recebido uma doação da Fundação Ford. Isto significava que tínhamos sido finalmente admitidas naquele [outro] mundo".

Segundo uma reportagem publicada pelo New York Times em 27 de fevereiro de 2007, "hoje o orçamento [anual] das Católicas pelo Direito de Decidir, [apenas da seção norte americana], é de três milhões de dólares, amplamente financiado por Fundações bem conhecidas, entre as quais a Fundação Ford".
(Backing Abortion Rights while Keeping the Faith:
 http://www.nytimes.com/2007/02/27/us/27choice.html?pagewanted=2&_r=1).

Quanto aos próprios objetivos das Católicas, atualmente empenhadas na Europa em uma campanha contra o direito de objeção de consciência à prática do aborto por parte dos médicos, a grande idéia que está por trás de seu trabalho e que granjeou o apoio de tantas fundações, consiste na compreensão de que enquanto os movimentos a favor do aborto se limitarem apenas à própria legalização do aborto, nenhuma conquista poderá ser definitiva. O direito ao aborto somente será definitiva e irreversivelmente estabelecido entre as mulheres quando, no dizer das Católicas, mais do que a legislação, puder ser derrubada a própria moralidade do aborto, e nisto a Igreja Católica não passa apenas de um alvo instrumental.

"A moral católica é a mais desenvolvida", afirma Kissling. "Se você puder derrubá-la, derrubará por conseqüência todas as outras".

Nas palavras de Kissling:
"As pessoas neste país questionaram a legalidade do aborto, mas de tal maneira que não questionaram o tema da moralidade. A incapacidade de tratar esta questão no nível moral é uma grave ameaça para o sucesso a longo prazo do movimento a favor do aborto. Você nunca realmente irá vencer definitivamente se a questão da moralidade for levantada [tal como ela é apresentada hoje]. Se nós, como movimento, tivermos que tratar de moralidade na questão do aborto, nós perderemos, porque o discurso moral é controlado pelos homens e pela religião, e é construído contra as mulheres. O argumento dos bispos diz que o aborto é um assassinato, que abortar é matar e que a vida começa na concepção. Mas esta perspectiva católica é o lugar certo onde começar o trabalho, porque a posição católica é a mais desenvolvida. Assim, se você puder refutar a posição católica, você refutou todas as demais. Nenhum dos outros grupos religiosos realmente têm declarações tão bem definidas sobre a personalidade, quando a vida começa, fetos e etc. Assim, se você derrubar a posição católica, você ganha".

O IPAS, para quem Kissling confessa haver trabalhado na abertura de clínicas clandestinas de abortos na América Latina, não é a única organização a favor do aborto que patrocina o aborto clandestino. Provavelmente a maior de todas as organizações que já existiram na promoção do aborto clandestino foi, durante o final dos anos 60 e a década dos anos 70, a própria Agência de Desenvolvimento Internacional do Governo Federal dos Estdos Unidos, também conhecida como USAID. Conforme uma série de relatórios publicados recentemente por Reimert Ravenholt, na época o diretor de programas populacionais da USAID, o órgão utilizou-se de uma verba concedida pelo Congresso americano no montante de um bilhão e trezentos milhões de dólares para deter o crescimento populacional em todo o terceiro mundo. Foi, nas palavras de Ravenholt, o maior programa de "ajuda externa" já desenvolvido pelo governo federal americano em toda a sua história depois do Plano Marshall, este último sendo o conhecido programa através do qual a Europa foi economicamente reconstruída após o término da Segunda Guerra Mundial.

http://www.ravenholt.com/population/Foremost.zip

O plano de controle mundial da população da USAID nos anos 70 incluía a promoção do aborto, ilegal ou não, em todo o terceiro mundo. Foram desenvolvidos novos equipamentos para a prática do aborto, distribuidos a milhares de médicos de mais de 70 países do terceiro mundo. Ravenholt estima que hoje, somando os aparelhos para a prática do aborto distribuídos pela USAID durante os anos 70 e depois pelo IPAS que continuou este trabalho a nível mundial, inclusive no Brasil, já teriam sido distribuídos mais de três milhões de equipamentos de aborto em todo o terceiro mundo. A USAID desenvolveu e sustentou em vários países como o Paquistão Oriental, hoje Bangladesh, um país de forte raízes islâmicas e onde o aborto ainda hoje continua ilegal, não apenas os equipamentos, mas também toda a infra estrutura nacional para a prática do aborto.

http://www.ravenholt.com/population/Foremost.zip

Nota Redação MSM: Leia também Quem financia o aborto ilegal no Brasil - 1a. Parte. Para informações complementares e mais detalhadas sobre o tema recomenda-se a leitura do artigo Feminismo, reeducação sexual, aborto e as fundações no contexto brasileiro. Nele os leitores poderão acessar um amplo Mapa das Redes feministas.