Quem financia o aborto ilegal no Brasil - Final

(por Redação MSM em 14 de setembro de 2007)

Resumo: As organizações que promovem a legalização do aborto sob o pretexto de ser impossível controlar o aborto clandestino são as mesmas que promovem o aborto clandestino em todo o mundo.

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As novas drogas abortivas, que hoje são ilegalmente distribuídas e vendidas em toda a América Latina para a obtenção de abortos por automedicação, segundo os relatórios recentemente publicados por Ravenholt, também foram inicialmente desenvolvidas pela USAID a partir de uma descoberta de médicos suecos. Os riscos da automedicação pouco significavam para a USAID. Ravenholt afirmava que tratava-se "de uma nova penicilina que iria curar a doença da explosão populacional", e nos seus comentários mais recentes, gaba-se de que no Brasil as novas drogas desenvolvidas graças à organização que então presidia estão sendo amplamente usadas, na ilegalidade, para a prática do aborto:

"Este foi o coroamento da definição que havíamos colocado", afirma o ex diretor da USAID. "Estávamos procurando uma substância efetiva que, quando auto administrada por uma mulher, em uma só dose, assegurasse o retorno do estado não gravídico no final de um ciclo menstrual. Assim, se a mulher descobrisse que sua menstruação estava atrasadas e que ela estava grávida, poderia simplesmente tomar uma pílula. Esta droga, que passou a ser usada nos anos 80, especialmente no Brasil, ainda hoje é eficiente".
  [Entrevista de Reimert Ravenholt a Rebecca Sharpless em http://www.smith.edu/libraries/libs/ssc/prh/transcripts/ravenholt-trans.html]
  Ravenholt afirma também, para quem ainda se ilude de que o aborto está sendo promovido por causa da saúde das mulheres, que com os programas desenvolvidos pela USAID nos anos 70 era possível, utilizando a pílula e a esterilização, diminuir significativamente a taxa de crescimento populacional em qualquer país do terceiro mundo em um período de cinco anos, ou em um período de apenas dois anos, caso também fosse utilizado o aborto provocado.
  http://www.ravenholt.com/wfs/world.zip

Com o advento do governo Carter e depois do governo Reagan, a USAID foi proibida de patrocinar o aborto diretamente com o dinheiro do contribuinte norte americano. O trabalho realizado na área do aborto, tanto o legal quanto o ilegal, com o apoio dos diretores da USAID, foi assumido principalmente pela organização não governamental norte americana IPAS.

O IPAS fornece equipamento para a realização do aborto no mundo inteiro e atualmente, com a conivência do governo brasileiro, ministra abertamente cursos de técnicas de aborto a mais de mil novos médicos por ano no Brasil. Os cursos são anunciados com antecedência no próprio site da instuituição, e são ministrados, em sua maioria, em maternidades do governo. Em janeiro de 2007 o IPAS ministrou um curso de técnicas de abortos em Manaus, na Maternidade Ana Braga. Em fevereiro de 2007 no Rio de Janeiro, no Hospital Fernando de Magalhães no bairro de São Cristóvão, novamente Manaus na Maternidade Moura Tapajós, na Santa Casa de Sobral no Ceará, na cidade de Palmas, capital do Estado de Tocantins, na cidade de São Paulo, no Hospital da UNIC em Cuiabá, e outros dois em Goiânia, um deles na Santa Casa de Goiânia. Em Março de 2007 foi dado um curso de técnicas de aborto no Hospital da Universidade Federal de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Em abril de 2007 estavam previstos mais dois cursos no Instituto de Perinatologia da Bahia em Salvador, e em maio de 2007 estava programado outro na própria Secretaria Estadual da Saúde em Boa Vista, em Roraima. Todos estes cursos são anunciados publicamente e com antecedência há mais de dez anos, desde o primeiro mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso, sem que ninguém jamais tivesse tomado nenhuma providência a respeito, nem na classe médica nem fora dela. Os calendários dos cursos no Brasil podem ser acessados no endereço http://www.ipas.org.br/agenda.html

Segundo um estudo publicado pela Universidade de Harvard, os Estados Unidos haviam-se convertido, já nos anos 80, "na principal fonte mundial de capital para serviços de abortos".

O mesmo estudo também afirma que "a maioria das organizações que fornecem fundos para a promoção do aborto operam de maneira cladestina e usualmente ilegal. Uma das organizações mais agressivas nesta área é o IPAS. Conforme um dos membros de sua equipe afirmou, 'nossa política é, quanto mais o aborto é ilegal, mais ele é atraente, por ser mais necessário'.

No momento o IPAS trabalha em três áreas: empréstimos para o estabelecimento de clínicas de aborto, fabricação de equipamentos para a prática de abortos que serão posteriormente distribuídos por outras organizações, como a IPPF e a Fundação Pathfinder, e o gerenciamento direto dos serviços de aborto. A estratégia da organização consiste na identificação de médicos que estejam interessados na prática do aborto, não importanto se ele é legalizado ou não, e em ajudá-los a iniciar novos serviços. No momento o IPAS está financiando clínicas em vinte países, incluindo o México, o Brasil e a Indonésia, países nos quais o  aborto é ilegal.

O IPAS está também treinando parteiras na prática do aborto nas Filipinas, onde o aborto não somente é ilegal ... como também o método que está sendo ensinado é especificamente banido pelo atual governo".

Ainda no mesmo estudo de Harvard pode-se ler que "A promoção do aborto ilegal pode ser encontrada registrada inclusive em programas populacionais da ONU rótulada sob títulos como 'aumento do compromisso governamental para programas eficientes de planejamento familiar', 'financiamento seletivo de projetos de planejamento familiar inovadores e de baixo custo em países em desenvolvimento', ou programas de 'atividades nativas em planejamento familiar facilmente expansíveis ou multiplicáveis'. De fato, em muitos países da América Latina as organizações doadoras, ao concederem um empréstimo para uma clínica de aborto, verificam que a doação é rapidamente devolvida e as clínicas passam a auto multiplicar-se sem neessidade de novos investimentos".

(Donald Warwick, Foreign Aid for Abortion, Harvard Institute for International Development, http://links.jstor.org/sici?sici=0093-0334%28198004%2910%3A2%3C30%3AFAFA%3E2.0.CO%3B2-C)

Adrianne Germain, co-fundadora da International Women Health Coalition, a ONG que instrumentalizou a tomada da ONU pelas organizações feministas nas Conferências Internacionais de Cairo e Pequim respectivamente em 1994 e 1995, e após a reunião de Glen Cove em 1996 nos Comitês de Monitoramento de Direitos Humanos da ONU que passaram a pressionar os países latino americanos a legalizarem o aborto, afirma em um depoimento publicado na Internet que em 1984, quando ocupava o cargo de representante da Fundação Ford em Bangladesh, ela mesmo liberou três quartos de milhão de dólares apenas para financiar o aborto clandestino naquele país.

No mesmo depoimento Adrianne afirma também que, alguns anos depois, tendo que viajar diversas vezes ao Brasil para a organização de congressos, sempre trouxe consigo em sua bagagem equipamentos para a realização de abortos, os quais eram distribuídos para clínicas clandestinas brasileiras nos estados de São Paulo e do Amazonas. O mesmo faziam outras colegas da mesma entidade na Colômbia, na Venezuela e no Perú, países onde o aborto é ilegal até hoje. Segundo as palavras de Adrianne, "nós apoiamos pessoas extraordinárias na Colômbia, na Venezuela e no Perú, todas elas ligadas a serviços de aborto seguro ou intermediando estes serviços".
http://www.smith.edu/libraries/libs/ssc/prh/transcripts/germain-trans.html

Estes dados representam algumas dentre as muitíssimas evidencias disponíveis que revelam que as organizações que promovem a legalização do aborto sob o pretexto de ser impossível controlar o aborto clandestino são as mesmas que promovem o aborto clandestino em todo o mundo.


Nota Redação MSM: Leia também Quem financia o aborto ilegal no Brasil - 2a. Parte. Para informações complementares e mais detalhadas sobre o tema recomenda-se a leitura do artigo Feminismo, reeducação sexual, aborto e as fundações no contexto brasileiro. Nele os leitores poderão acessar um amplo Mapa das Redes feministas..