O Congresso Medinesp 2003, realizado de 18 a 21 de junho, no Grande Auditório do Anhembi, em São Paulo, que englobou o IV Congresso Nacional da Associação Médico-Espírita e o II Encontro Internacional de Médicos-Espíritas, reuniu 1.200 pessoas, entre médicos e profissionais de Saúde, representantes de associações médico-espíritas e federações, para estudar e discutir os fundamentos da Medicina espírita baseados nas revelações contidas nas obras de Allan Kardec e Chico Xavier-Emmanuel.

Foram vários os painéis, com 42 expositores que abordaram o paradigma médico-espírita, conceitos de saúde e doença, pesquisas em Medicina energética, processo reencarnatório, correlação das teorias psicológicas com o Espiritismo, a culpa como fonte primária das doenças, a terapia do perdão, avaliação espiritual do paciente hipertenso, o médico espírita diante da morte, o espírito diante da experiência de quase morte, da cremação, do coma e dos transplantes, câncer e o novo paradigma e terapia complementar espírita, entre outros.

Na abertura do evento, dia 18, à noite, Nestor Masotti, presidente da Federação Espírita Brasileira, lembrou dos conceitos trazidos há 150 anos pelos espíritos superiores, da convocação da mediunidade para a nossa reforma íntima e dos esforços sem fronteiras que existem em busca de novos conhecimentos para a humanidade.

Alberto Almeida, presidente da Associação Médico-Espírita do Pará (AME-Pará), tratou da importância das AMEs, declarando que “elas são sementes luminosas que fazem a interconexão entre o Evangelho e a ciência”. A presidente da AME-Brasil e AME-Internacional, Marlene Nobre, lembrou do momento crítico em que vivemos e declarou que o velho paradigma, que tem servido de base para a maior parte da coletividade humana, está defasado, desequilibrado, porque está calcado no egoísmo. “Vemos doenças degenerativas aumentarem, assim como a violência urbana e jovens se suicidando pelas drogas. É uma crise global que nos mostra que precisamos de mudanças. Somos uma das minorias criativas que surgiram no seio da coletividade que propõe essas mudanças e que crê que, para isso, deve haver a união entre a ciência e a religião”, afirmou.




No primeiro dia do evento, 1700 pessoas foram ao Anhembi ouvir o médium Divaldo Pereira Franco falar sobre Jesus, O Médico das Almas
Maria da Graça Ender, do Panamá; Nestor Masotti, presidente do CEI; Fábio Villarraga, da Colômbia; Elsa Rossi, da Inglaterra
Marlene Nobre e o psiquiatra americano Dr. Harold Koenig: espírita e não-espírita falando a mesma linguagem
Uma Krishnamurty e Amit Goswami: psicologia do Yoga tranformando emoções negativas com positivas e Física Quântica para defesa de um novo comportamento
Medrado: momentos da arte através da pintura mediúnica
A Espiritualidade também nos trouxe, através da médium Valdelice, belíssimas pinturas
Coral Auxiliadora, de Bagé (RS), encontou o público no encerramento
do congresso nacional e na abertura do encontro internacional
       

Objetivos Cumpridos

O Medinesp 2003 cumpriu, plenamente, os seus objetivos.

Planejado, inicialmente, para unir todas as AMEs e divulgar o que se produz no seio delas, a cada dois anos, inclusive com a realização da Assembléia Geral para a escolha da Diretoria, o Congresso expandiu-se muito mais, neste ano, com metas iniciais mais ambiciosas. Ao elaborá-lo, pensamos que, após 12 anos de Congressos e Jornadas, já estava na hora de trocarmos idéias com os colegas e especialistas do exterior que têm o mesmo ideal, embora não conheçam o Espiritismo. Ficamos agradavelmente surpresos ao verificar a facilidade com que os expositores estrangeiros aceitaram o nosso convite, constatando, assim, o acerto de nossa decisão.

Os nossos convidados têm estudos e pesquisas que mostram, entre outras verdades, o papel da Consciência na organização da matéria, a importância da fé no alívio das dores e na aceitação das doenças, a evidência do ser imaterial nos fenômenos do limiar da morte, e têm prestígio no campo em que atuam. Com isto, ganhou força a nossa luta pela implantação de uma cadeira no currículo médico que trate de Medicina e Espiritualidade e a idéia foi proposta, antes mesmo da realização do Medinesp, em Simpósios na USP e no Conselho Regional de Medicina de São Paulo.

O que se viu no Congresso foi um perfeito entrozamento entre as exposições dos brasileiros, baseadas nos ensinamentos de Emmanuel e André Luiz, recebidos por Chico Xavier, e a dos convidados, Goswami, Koenig, Fenwick e Krishinamurty.

Outro objetivo era mostrar que as pessoas, neste Congresso, poderiam viver o clima espiritual do terceiro milênio, ou seja, o de respeito por todas as crenças e por todos os nossos irmãos em humanidade. De fato, tivemos o apoio da Igreja Messiânica que nos auxiliou na decoração do auditório, abençoando cada ornamento , dando as boas-vindas espirituais aos congressistas e permanecendo conosco até o final do evento.

Tivemos também o Coral Auxiliadora, da cidade de Bagé (RS), que pertence ao movimento católico, que encantou e emocionou a todos, elevando-nos aos planos superiores da vida.

Outro momento gratificante foi acompanhar a dança de Uma Krishnamurty, inspirada em sua crença religiosa, em frente ao painel onde estavam representados Allan Kardec, Emmanuel, Bezerra de Menezes e Chico Xavier, em perfeito ecumenismo. E ainda termos tido o apoio do Instituto Noetic, organização internacional que não tem conotação religiosa, mas luta por um paradigma superior de vida na Terra.

Outro objetivo era reunir as AMEs em torno das questões bioéticas , o que foi alcançado no Forum Interno; como fruto dessa discussão foi elaborada a Carta de S.Paulo, com decisões importantes no campo dos direitos do embrião e dos últimos momentos da vida física do ser humano. Conseguiu-se também, com a realização do Forum, a divulgação dos trabalhos de cada AME, buscando-se a inspiração uns nos outros para maior aprimoramento das atividades como um todo.

E, finalmente, o objetivo maior, a confraternização: plenamente, alcançado. Era de se ver a alegria generalizada, expressa nos abraços fraternos, nos sorrisos espontâneos, no clima de emoção espiritual que tomou conta de todos, principalmente, ao final, quando os pintores espirituais nos brindaram com telas maravilhosas.

"Os nossos corações estão em festa, impregnados de paz e amor!
Obrigada, Mestre Jesus! "
Marlene Nobre

 

Jesus, o Médico das Almas

Nem a greve do Metrô paulista e o trânsito da véspera do feriado de Corpus Christi tiraram o brilho da abertura do IV Congresso da Associação Médico-Espírita (Mesnesp 2003), em 18 de junho, no Anhembi, Zona Norte da capital paulista. Mesmo com os problemas comuns de uma cidade grande como São Paulo, cerca de 1.700 pessoas foram acompanhar a abertura do evento, que contou com a palestra do médium baiano Divaldo Pereira Franco, recém-chegado da Europa e que esteve no local especialmente para falar de Jesus, o Médico das Almas. Para ouvi-lo, muitas pessoas chegaram ao Anhembi por volta das 15h. Antes da abertura do congresso, parte de sua equipe de voluntários trabalhou na venda de fitas com suas palestras e livros, autografados pelo autor.

Em sua apresentação, que durou aproximadamente uma hora e trinta minutos e emocionou o público presente, Divaldo destacou que Jesus é um homem incomparável e que, por isso, milhares de obras já foram escritas ao seu respeito. Ele lembrou da Roma antiga, dos dias de sofrimento e despautério, e da chegada de Jesus propondo mudanças nas velhas estruturas e novos paradigmas: de que somente o amor pode levar o indivíduo à plenitude. “ELE é a personalidade mais penetrante da história da humanidade, e nos serve de modelo e guia nesses dias turbulentos”, declarou.

Divaldo autografando livros
antes da apresentação

Divaldo salientou ainda as várias passagens da vida Jesus, as curas que realizou e, principalmente, a declaração feita a um dos apóstolos de “que não veio para curar os corpos, mas para ser o médico das almas”, assim como a de que viria novamente à humanidade através de um consolador”. E frisou, relembrando a vida de Jesus, seus atos, falas e curas, que ELE é a resposta para todos os males.

 

Estudo da Reencarnação

No painel que tratou do estudo da reencarnação, o psiquiatra e presidente da AME-SP, Sérgio Felipe de Oliveira, informou que, com base na literatura de André Luiz e Allan Kardec no Livro dos Espíritos, a participação do espírito reencarnante acontece desde a escolha do espermatozóide, que, ao tocar o ovócito de segunda ordem, desencadeia a produção de determinadas substâncias, transformando-o em óvulo, quando, então, se dá a fecundação propriamente dita. Neste momento o espírito assume o comando sobre a organização dos genes. Quanto à clonagem, afirmou que a questão sobre a ascendência do espírito sobre as células não está concluída.

Décio Iandoli Júnior, da AME-Baixada Santista, informou que a biologia do 3º milênio não estuda somente a célula e sim, o átomo, levando a uma mudança de paradigma sobre a definição do que é a vida. Lembrou de algumas teorias, de Lamarck a Darwin, e apresentou casos de doenças de mas formações congênitas em gêmeos, decorrentes de contaminação pela mãe doente, que atingiram apenas uma das crianças. Relatou outros casos em que as mesmas causas genéticas deram origem a váriasmanifestações patogênicas. Outro ponto destacado por Iandoli Júnior foi o fato de o Projeto Genoma ter comprovado vários equívocos, tidos como verdade no passado, como, por exemplo, que o caráter é genético. Seus estudos basearam-se nas pesquisas de Ian Stevenson, Hernani Guimarães Andrade e Ney Pietro Peres, entre outros.

Em sua palestra, Maria Júlia Pietro Peres, psiquiatra e especialista em Terapia da Regressão das Vivências Passadas, relatou o caso de uma paciente em que ficou evidenciada a reencarnação. Segundo informou, ela apresentava um diagnóstico de asma, fobia sexual, insegurança, ansiedade, aversão às pessoas negras, sentindo grande melancolia ao observar paisagens com rios”.

 

Maria Júlia P. Peres: relatou casos
de evidência de reencarnação

 

Holismo e Psicologia

No painel Holismo e Psicologia, Anapaula Brum, psicóloga clínica e hospitalar em São Paulo, falou a respeito de várias correntes filosóficas na área de Psicologia, relacionando-as e descrevendo o que elas dizem a respeito de assuntos como mediunidade, espiritualidade, morte e reencarnação. Ao final, fez algumas propostas acadêmicas para melhorar cada vez mais a abordagem do profissional e aumentar as linhas de pesquisa.

Taciana Cristina Freitas de Lima, também psicóloga clínica, da AME-ES, analisou como as dores da alma se manifestam no corpo físico. Descreveu como a Medicina da Alma tem a capacidade de ampliar o olhar do profissional de saúde para que este dê real importância ao espírito e, assim, chegar às dores da alma do indivíduo.

No mesmo painel, a psicóloga e membro da AME-MG Rosemeire Simões definiu a culpa do dicionário Aurélio e a do O Livro dos Espíritos, demonstrando o caminho que segue para chegar a causar doenças em nosso corpo. Segundo Rosemeire, o problema está no momento em que não nos perdoamos e passamos a cultivar o remorso. Este, de acordo com ela, seria o motivo pelo qual adoecemos. Ela também demonstrou alguns casos clínicos, onde a doença chega como uma ação punitiva, seja da atual existência ou de vidas anteriores.

A também psicóloga da AME-MG Lígia Dutra apresentou as premissas básicas do Espiritismo, fazendo um relato de como o Departamento de Psicologia da AME-MO trata os pacientes oncológicos que buscam auxílio psicológico e aceitam a complementação da religião em seus tratamentos. Na seqüência, apresentou o relato de um caso atendido pela equipe, de um menino que desencarnou vítima de um câncer, mas que tirou muito aproveitamento de seu tratamento psicológico. Os diversos desenhos que o garoto fez durante seu tratamento foram mostrados ao público, em um comparativo sobre o início dele, quando eram mais agressivos, e o final, mais sereno.

 

Itaci, uma história

Darcy Carvalho, fundadora e diretora da Ação Solidária contra o Câncer Infantil, contou a história de como o câncer entrou em sua vida, de como se sentiu despreparada com a doença do filho, com 7 anos, e como a venceu. Relatou como, com garra e coragem, fundou, juntamente com outros casais, a Ação Solidária Contra o Câncer Infantil e, há um ano, o Instituto de Tratamento do Câncer Infantil (Itaci), um hospital construído com doações para atender crianças e adolescentes carentes. Darcy apresentou fotos do Itaci e as suas dependências. “Ele parece tudo, menos um hospital” disse ao final de sua apresentação, quando foi aplaudida de pé pelo público, muito emocionado com sua apresentação simples e sua forma amorosa de tratar as crianças com câncer.

Darcy, Rosemeire e Lígia se apresentaram no painel sobre Holismo e Psicologia

 

Medicina e Espiritualidade na obra de Chico Xavier

Roberto Lúcio Souza, vice-presidente da AME-Brasil, abriu as conferências do primeiro dia de trabalhos com a palestra Construindo o Paradigma Médico-Espírita, falando de Medicina e Espiritualidade na Obra de Chico Xavier. Ao lembrar da história do grupo de estudos de Espiritismo e psiquiatria do qual faz parte, na AME-MG, e do nascimento das reuniões de cunho espiritual no Hospital Espírita André Luiz, de Belo Horizonte, afirmou que, durante dois anos, o livro Pensamento e Vida, de Emmanuel, foi usado como cartilha de aprendizado. “A obra Chico-Emmanuel e André Luiz nos traz paradigmas importantes, amplia informações desde a Codificação. Emmanuel, por exemplo, diz que o médico honesto e sincero, amigo da verdade e dedicado ao bem é um apóstolo da providência divina. E também que a saúde é a perfeita harmonia da alma para a obtenção da qual há necessidade da contribuição preciosa das moléstias e deficiências transitórias da terra”, informa.

Souza lembrou ainda que as escolas médicas atuais não têm abertura para o estudo filosófico para entender o que é a vida, a morte, o que é o ser em sua totalidade. “A ciência espírita e a Doutrina surgem como contribuição porque ao Espiritismo cabe o estudo da realidade da vida. Essa contribuição, entendimento filosófico, é importante para a evolução do ser”, informou, destacando que não existe uma proposta para se criar uma Medicina Espírita, mas sim, estudar o paradigma do espírito.

Ao falar dos fundamentos da Medicina Espírita, Marlene Nobre informou que o novo paradigma apresenta o ser humano como um ser biopsicosocioespiritual, que deve buscar seu autoconhecimento e ser responsável pela manutenção de sua saúde. “O médico deve ter ação pedagógica como agente de saúde”, completou. A presidente da AME-Brasil lembrou que toda patologia tem origem nos vícios da mente e que, por isso, são muito importantes os estudos sobre os complexos de culpa. “A doença é uma oportunidade de introspecção e solução de desequilíbrios”, disse.

Ao apresentar o conceito de saúde e doença, Carlos Alberto de Souza, presidente da AME- Campina Grande (PB), completou que é preciso que haja a revisão do ser humano. “Nosso corpo é uma imagem física em terceira dimensão daquilo que estamos pensando”, disse. “A tendência é a união da ciência e religião e a compreensão do indivíduo como ser integral na Medicina do futuro”, declarou Fernando Augusto Garcia Guimarães, da AME-Baixada Santista, em palestra que apresentou sobre Medicina Energética.

O psicoterapeuta André Luiz Peixinho, da AME-BA, abordou o conceito de pessoa saudável. Enfatizou que o ser humano, através do ciclo da vida e da morte, entra em contato com a sua plenitude, toma consciência de sua condição espiritual. “Quando isto não ocorre, o indivíduo adoece”, informou. A partir disso, descreveu o modelo de abordagem espírita que utiliza na sua relação médico-paciente, que se baseia, principalmente, em abrir a mente do profissional para a sensibilidade e intuição.

Outro assunto de grande interesse, o da avaliação espiritual do paciente hipertenso, foi apresentado pelo vice-presidente da AME-Londrina, Júpiter Villoz Silveira, que afirmou que o sentimento de raiva, causado principalmente pela perda do controle da situação, em comportamentos dominadores, causa a hipertensão. “Temos de medicar os hipertensos, sim, mas também devemos atendê-los psicologicamente”, declarou.

Ainda tratando de sentimentos, o presidente da AME-Pará, Alberto Almeida, em palestra que tratou da Terapia do Perdão e da Reconciliação, falou da importância que o perdão tem em nossas vidas, no modo como vivemos, como adoecemos e no nosso processo de cura. Ressaltou que tudo aquilo que não perdoamos nos prejudica de tal forma que não podemos nos curar se não mudarmos de atitude. Enfatizou ainda que, além da importância de perdoar os outros, temos de aprender a nos perdoar, pois a intransigência conosco também nos adoece.

Em relação à mediunidade, Alexander Moreira de Almeida, presidente do Núcleo de Estudos Espíritas da USP, apresentou os motivos pelos quais se deve pesquisá-la e citou alguns estudiosos que iniciaram estudos sobre o assunto. Lembrou que o Brasil é um campo muito fértil nesta área de pesquisas, pois possui um grande número de centros espíritas, a maioria dos hospitais públicos psiquiátricos são espíritas e as AMEs abrigam os profissionais dispostos a estudá- la. Além disso, descreveu como devem ser realizadas as pesquisas para que se tenha respaldo científico.

 

Vida Pré-Natal

Villarraga falou da
vida pré-natal

Outra palestra que chamou a atenção do público foi a de Fábio Villarraga, da Colômbia, que tratou das influências do meio ambiente físico e psíquico na vida pré-natal do ser humano. Ele mostrou o passo a passo do desenvolvimento do embrião e de seus sentidos, apontando para a vida desde a fecundação. Villarraga também explicou a importância das atitudes benéficas embriofetais, como o diálogo materno-fetal e o clima familiar equilibrado.

 

O Vôo da Borboleta

O Espírito diante da Experiência de Quase- Morte, da Cremação, do Coma e dos Transplantes foi o tema da apresentação do clínico e membro da AME-ES José Roberto Pereira dos Santos. Ao som de As Quatro Estações, de Vivaldi, e em uma menção à primavera, o painel teve por propósito mostrar que a morte, assim como o vôo da borboleta, é uma coisa boa. “Sabemos que o espírito de evolução moral adiantada, que seguiu as leis de Deus e cultivou boas sementes terá seu processo de desencarnação rápido. Não terá dor, nem sensações negativas. Do contrário, terá mais dificuldades, será mais penoso”, apontou.

No caso da cremação, Santos lembrou que deve-se esperar 72 horas para que ocorra, principalmente se o espírito for ligado à matéria, para evitar que tenha as mesmas sensações. Partindo-se do mesmo princípio, afirmou que não é recomendável um enterro com menos de 24 horas. “Mas o mais importante é pautar a nossa vida sem essas preocupações. Se fizermos a nossa parte, não importa que destino terá o nosso cadáver”, argumentou.

Com relação ao coma, Santos afirmou que, segundo André Luiz, o aprisionamento do espírito ao corpo depende de sua condição mental. “Se ele tiver pouca evolução moral, terá consciência do corpo, mas não responderá. Daí a nossa responsabilidade como médico diante do paciente. Devemos lhe levar mensagens positivas”. No caso dos transplantes, declarou que o espírito pode ter a dor perispiritual, mas que, nessas situações, sempre há o amparo da espiritualidade.
Fernando Guimarães apresentou
palestra sobre Medicina Energética
Alexander de Almeida defendeu
a realização de mais pesquisas

 

 

O médico espírita diante da morte

“Certa vez, um colega, médico intensivista e que, portanto, estava acostumado com a morte, cuidava de um paciente amigo, que acabou desencarnando. Ao dar a notícia à família, viu que não tinha estrutura para isso e, ao invés do contrário, acabou sendo consolado por ela. Este foi um dos motivos que me levou a fazer um estudo sobre o estudante de Medicina diante da morte”, relatou Ricardo Sallum, otorrinolaringologista e vice-presidente da AME-Baixada Santista, afirmando que o modelo bioético existente é ultrapassado e não prepara o estudante para a morte.
Décio Iandoli Júnior, no lançamento do livro Ser Médico e Ser Humano, que aborda o aspecto humano no relacionamento médico-paciente
“O modelo atual, a de uma Medicina materialista, não acredita na existência do espírito. Ele prioriza a doença e não o doente, assim como a razão à emoção”, declara Sallum. Segundo o médico, as escolas atuais ensinam o estudante a apenas ver a morte, sem discuti-la, e é por isso que muitos desistem do curso já no primeiro do curso. Ou então, conforme ele, quando ela ocorre, há, muitas vezes, uma desestruturação emocional do médico. “O modelo atual desumaniza o médico. Ele sai da faculdade com a teoria de que se deixar se levar pelas emoções não será um bom profissional”, declara.

De acordo com Sallum, o ponto de partida do problema é o medo da morte, do desconhecido. “O médico espírita tem de ser diferente, já que para ele a morte não lhe é totalmente desconhecida”, salienta. “O papel dele deve ser o de ‘curar raramente, aliviar frequentemente, mas confortar sempre’. É disso que muitos se esquecem”, finaliza.

 

Espiritualidade integrada ao tratamento

Daher tratou das
parcerias espirituais
Jorge Cecílio Daher, médico endocrinologista e presidente da AME-GO, tratou da questão das parcerias espirituais, criadas a partir de vínculos simpáticos ou antipáticos gerados por imagens construídas pelos conteúdos psíquicos do espírito encarnado. Baseou sua apresentação no Livro dos Espíritos, pergunta 621, e na obra de Jorge Andréa, especificamente na afirmativa de que é a consciência que dá os impulsos diretivos do Bem e Mal. Falou sobre os núcleos psíquicos e sobre a definição de corpo de pensamento dada por André Luiz. Além disso, Daher abordou os mecanismos psicológicos de defesa em relação aos impulsos. Tratou também dos processos de obsessão e concluiu sua exposição explicando que somente a sublimação, que é a superação da culpa auto-punitiva mediante um processo de auto-perdão, e da transformação da culpa em responsabilidade, acarreta a sublimação das parcerias espirituais.
Mesa dos participantes do painel sobre Espiritualidade Integrada ao Tratamento
A partir de conceito de fé, de que a alma é a direção e o corpo é a obediência, segundo Allan Kardec, e que a saúde é a perfeita harmonia da alma, de acordo com Emmanuel, a presidente da AME-ES, Ana Catarina Loureiro, citou pesquisas realizadas por cientistas da Europa e Estados Unidos que concluíram que pacientes que de alguma forma manifestam ter fé em algo superior conseguem mais sucesso no processo de cura. Citou Kardec, quando afirma que “quando você está doente e quer realmente ser curado, você é como se fosse uma bomba sugadora e o médico uma bomba compressora”. E fez a analogia de que o mesmo pode-se dizer da relação médium passista e aquele que está recebendo o tratamento de passe. “Quando este externa sua fé, também se posiciona como uma bomba sugadora e o passista com uma bomba compressora”, declarou. “A oração traz os benefícios da cura e os pacientes deveriam deixar a condição de passivos e passarem a ser ativos, com as consciências de que eles são os artífices da própria cura”, completou.
Ana Catarina e José Roberto:
sucesso no processo de cura através
da fé e morte comprada ao vôo da borboleta

Maria da Graça De Ender, da Associação Médico-Espírita do Panamá, lembrou que a saúde é um estado de equilíbrio entre forças físicas e psíquicas e que todos estão sujeitos a doenças por não cultivarem o pensamento reto. Ressaltou a importância da atitude de amor do médico para com o paciente, como componente de altíssima importância para que o último encontre o caminho da recuperação da sua saúde. No final de sua apresentação, Maria da Graça comoveu o público com um relato de um paciente. Dependente químico, abandonado pela família e excluído da sociedade, encontrou, inspirado na paciência e no tratamento fraterno que lhe fora dispensado pela médica, o caminho da cura através da descoberta do amor de Deus.

 

O poder do espírito

Irvênia Di Santis Pratda, médica veterinária e professora de fisiologia da USP, inicou o painel sobre O Poder do espírito discorrendo sobre a evolução fisiológica do cérebro, a matéria mental e co-criação, com base nas pesquisas realizadas por André Luiz no livro “Evolução em Dois Mundos” e por Mac Lean, em “Transição Evolutiva”.

Irvênia baseou sua palestra nas pesquisas realizadas por André Luiz em "Evolução em Dois Mundos"
Jaider Rodrigues de Paulo, presidente da AME-MG, tratou, na sequência, dos estados alterados de consciência (sonambulismo e mediunidade), quando afirmou, entre outros pontos, que o sonambulismo infantil não é doença. Porém, deve ser tratado com orientação aos pais da criança quanto aos cuidados que devem dispensar, tais como manter ambiente saudável dentro do lar, sem discussões, evitar que a criança assista a filmes, novelas e/ou noticiários com focos de violência ou qualquer outra agressividade, cultivar o hábito da prece e da leitura sadia, principalmente ao deitar. “O sonambulismo torna-se patológico apenas se persistir após a adolescência”, declarou.
José Nicanor e Jaider Rodrigues de Paula
O presidente da AME-SP, Sérgio Felipe de Oliveira, tratou das funções da glândula pineal, informando que, após várias pesquisas realizadas, concluiu-se que, além das várias funções que desempenha, ela é o elo de ligação entre o corpo e o espírito e representa o centro de massa energética do corpo.

Logo após o painel, o psicólogo André Luiz Peixinho abordou as mudanças de paradigmas e a necessidade de capacitar médicos e terapeutas para tratar das psicopatologias, criando uma epistemologia espiritual para o serviço de saúde mental.

 

Câncer e o novo paradigma

Osvaldo Hely Moreira, cardiologista e vice- presidente da AME-MG, iniciou o painel que tratou do câncer e o novo paradigma com a definição médica da doença. Posteriormente, definiu os fatores que a promovem, assim como os pensamentos e sentimentos que levam ao câncer, assim como as causas passadas que podem evoluir para a doença. Segundo Moreira, o câncer se instala na região do erro que a pessoa causou ou na área que vibra com o erro.

Kátia apontou a postura que o médico
deve ter em relação ao paciente e à família

O tema foi completado por Kátia Marabuco, oncologista da Universidade do Piauí, que tratou da postura que o médico-espírita deve ter em relação ao paciente e sua família e quais as preparações que devem ocorrer para o desencarne, entre outros. A palestra de Sabino Antônio Luna e Daniel Gómez Montanelli, ambos da Argentina, ‘costurou’ os itens tratados pelos colegas Moreira e Kátia, tratando da humanização no tratamento do câncer.

 

Software mostra a geometria do espírito

Paralelamente ao IV Congresso Nacional da Associação Médico-Espírita, aconteceu, nos dias 19 e 20, pela manhã, no auditório G do Anhembi, seminário sobre o modelo geométrico do espírito proposto pelo doutor Hernani Guimarães Andrade, desencarnado recentemente, em seu livro Espírito, Perispírito e Alma. O público presente pôde conhecer a geometria do espírito, conforme a concepção tetradimensional, ou seja, a forma geométrica da 4ª dimensão, sendo possível visualizar o corpo físico, o corpo vital e o corpo astral de que trata o dr.Hernani. O aspecto inovador a ser destacado é que a apresentação foi feita utilizando-se um software de realidade virtual não imersível (URML), de linguagem tridimensional. A exposição foi feita por Carlos Eduardo Noronha Luz e David Lucas Desidério, ambos da Faculdade de Engenharia e Tecnologia da Unesp.

 

Como vencer os vícios

Tabagismo, processo de recuparação em dependência química e desenvolvimento humano aplicado a populações carentes atendidas em ambulatório médico-espírita foram destacados no painel Renovando Atitudes, Como Vencer os Vícios.

No caso do tabagismo, Maria Cristina Alochio de Paiva, pneumologista e membro da AME-ES, informou que a nicotina, encontrada no cigarro, é a droga que produz mais estímulos cerebrais e que, por isso, se fosse descoberta hoje, seria considerada ilícita. Segundo ela, os efeitos nocivos do fumo atingem o perispírito, principalmente os órgãos mais atingidos pelo cigarro, como pulmão e coração. “Ele diminui os fluxos vitais para o corpo. Impregna e ocasiona falta de proteção dos amigos espirituais”, declarou, afirmando também que a fé nos liberta do vício.

Maria Heloísa Bernardo, diretora-técnica do centro de Tratamento Bezerra de Menezes, em São Bernardo do Campo (SP), relatou os aspectos clínicos e espirituais do processo de recuperação da dependência química e salientou que as substâncias psicoativas alteram o pensamento, danificando a mente, o corpo e o espírito, afetando o comportamento e os relacionamentos.

Maria Heloísa falou
de dependência química

No encerramento do painel, o médico homeopata da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Fernando Bignardi relatou sua experiência em um centro espírita da capital paulista com pessoas carentes, onde foi trabalhada a Medicina Integral, inclusive com sessões de relaxamento, e a melhora em todos os sentidos que esses pacientes tiveram em suas vidas.
Fernando Bignardi

 

AMES formulam carta de princípios sobre direitosdo embrião e eutanásia

Durante dois dias, membros das AMEs se reuniram em uma sala anexa ao grande auditório do Anhembi para discutir questões bioéticas, como os direitos do embrião e os momentos finais da existência física. Como resultado desses fóruns, ao final do II Encontro Internacional, foi apresentado ao público uma carta de princípios da AME-Brasil sobre as duas questões.

 

Apresentações artísticas encantaram o público

O Medinesp 2003 contou com várias apresentações artísticas, que levaram ao Anhembi um clima de grande paz e harmonia. Na abertura do evento, 18 de junho, à noite, apresentaram-se a pianista Isabel Maresca, acompanhada dos tenores Márcio Gomes e Paolo Santoro e da soprano Assunção de Lucca, que se revezaram no palco em recitais interpretando autores como Bizet e Gounoud. No mesmo dia, assim como nos seguintes, a voz da cantora lírica Paula Zamp ajudou na preparação do ambiente para as preces e início das apresentações. Outro destaque foi a apresentação do Coral Auxiliadora, do município de Bagé (RS), que encantou a todos no encerramento do congresso nacional e abertura do evento internacional.

Mas não foi só a música que encantou o público presente. Logo após a sua palestra, que tratou dos Estados Elevados de Consciência e Saúde Mental, a psiquiatra indiana Uma Krishnamurty apresentou danças clássicas indianas, representando o Deus Shiva em uma ação entre o bem e o mal e também uma oração. No encerramento do II Encontro Internacional de Médicos Espíritas os médiuns José Alberto Lima Medrado e Valdelice Sallum propiciaram ao público momentos de arte e criatividade através da pintura mediúnica. Eles trouxeram obras inéditas de artistas desencarnados, como Renoir, Van Gogh, Picasso, Tarsila do Amaral, Paul Gauguin e Claude Monet, entre outros.

 

Universitários trocam experiências

Estudantes universitários, representando várias faculdades do Brasil, se reuniram no Mednesp 2003 para discutir suas experiências com grupos de estudo ligados à espiritualidade. Neste primeiro encontro, abordaram as dificuldades que encontram em mantê-los ativos dentro das universidades, sobre o apoio que recebem ou não dos professores e dos próprios alunos em geral. Cada grupo ali representado pôde tirar dúvidas com os mais experientes. Quem ainda não tem um grupo formado, mas tenta organizá-lo e não sabe como, também teve a oportunidade de obter informações com os mais antigos.

O principal objetivo do encontro foi o de conhecer quem está fazendo o quê e aonde. E a partir deste conhecimento, manter contato e divulgá-los ainda mais para outros universitários que podem estar interessados em participar e não sabem como e onde procurar.

Durante as reuniões, que aconteceram em dois dias, foram estabelecidos alguns pontos importantes:

- Criação de um Departamento Acadêmico dentro das AMEs estaduais e regionais, hoje só existente em Minas Gerais e Curitiba;
- Realização de nova reunião durante o Encontro Científico dos Estudantes de Medicina, que acontecerá em julho, na USP, em São Paulo (SP);
- Divulgação dos Departamentos Acadêmicos e das AMEs em centros espíritas;
- Em relação à AME: abertura para os estudantes, estruturação estadual dos grupos acadêmicos e realização de cursos para estudantes dentro das AMEs.

Participaram deste primeiro encontro cerca de 30 estudantes das áreas de Medicina, Psicologia, Terapia Ocupacional e Administração. Eles representaram várias faculdades como USP, EPM, USP-Ribeirão Preto, FCMS - Santos, UFMG, Santa Casa - SP, PUC - Sorocaba, Unimep, UFF - Rio, UFSC, IMABC, Unesp - Botucatu e Famerp - Ribeirão Preto.

Os grupos representados foram:

- Centro de Estudos Multidisciplinar - Instituto de Cultura Espírita - Florianópolis;
- Grupo de Estudos de Minas Gerais (acadêmico)
- Núcleo Espírita Universitário - UFRJ ( Terapia da Dor ) e UNIRIO (Grupo de estudos)
- G.E.M.E. - Grupo de Estudos de Medicina e Espiritismo ( FCMS - Santos )
- Universidade Espírita Bezerra de Menezes - Curitiba
- Faculdade de Teologia Espírita - Rio Grande do Sul
- Liga de Medicina de Família - Sorocaba
- Grupo de Acadêmicos associados à AME-Pará (várias áreas)
Foi criado um Grupo na Internet para quem estiver interessado se comunicar: acadêmicos_espiritas-owner@yahoogroups.com

 

Quatro mil livros vendidos

Quem participou do Medinesp 2003 teve a oportunidade de encontrar, na livraria montada na área externa do auditório do Anhembi, mais de três mil títulos, de 100 editoras. Durante os quatro dias de evento, foram vendidos quatro mil livros. Dentre os mais procurados estão os lançamentos A Alma da Matéria, de Marlene Nobre; Ser Médico e Ser Humano, de Décio Iandoli Júnior; Medicina e Espiritismo, da AME-Brasil; e Deus e a Ciência, da AME-ES. Além dos livros, foram vendidas 1.200 fitas de vídeo, com palestras apresentadas durante o congresso. As mais solicitadas pelo público foram Terapia do Perdão e da Reconciliação, do presidente da AME-Pará, Alberto Almeida; O Processo Reencarnatório (Normal e na Clonagem), do presidente da AME-SP, Sérgio Felipe de Oliveira; e Jesus, o Médico das Almas, do médium Divaldo Pereira Franco.

Souza, Marlene Nobre, Santos e Iandoli Júnior
autografando livros lançados no Medinesp

 

Neuropsiquiatra relata experiências de quase-morte

O neuropsiquiatra britânico Peter Fenwick, a maior autoridade clínica da Grã-Bretanha em Experiência de Quase-Morte e uma das figuras mais marcantes do congresso nacional e encontro internacional pelo seu grande interesse e participação, abordou em sua conferência a grande quantidade de casos relatados neste sentido, assim como as lembranças no processo de ressuscitação de pacientes clinicamente mortos por algum tempo. Segundo ele, estamos vivendo uma época de rápidas mudanças. “Está cada vez mais claro que a nossa velha Medicina, que enfoca separadamente os órgãos do corpo humano, é apenas parte de um quadro mais amplo, onde a medicina espiritual e a que relaciona corpo e mente são igualmente importantes. Vivemos um milênio de renascimento espiritual”, disse.

Em sua apresentação, Fenwick afirmou que o processo de morte contém componentes bem distintos. “O primeiro seria a aproximação dela. E de acordo com relatos, costuma ocorrer 24 horas antes. São as chamadas visões do leito de morte, em que muitos pacientes dizem ver luzes envolvidas em um clima de amor e compaixão, parentes que já morreram, entre outras coisas. A maioria afirma ter ficado em estado de paz e alguns, sem vontade de ‘voltar´. Também existem as ‘coincidências’ do leito. Aquelas em que amigos e parentes recebem ‘visitas’ daqueles que estão morrendo”, conta, citando várias pesquisas realizadas por autores diversos, em vários países.

Outro tipo de caso relatado, de acordo com o neuropsiquiatra, é o de pessoas que não sabem que alguém próximo a elas está morrendo e ‘recebem sua visita’. E também de pacientes infartados que se viram fora do corpo e ao retornarem contam o que presenciaram, apesar de naquele momento estarem inconscientes. “A ciência diz que tudo isso é coincidência”, declara. É por essa razão que Fenwick quer prosseguir com suas pesquisas. Durante sua exposição, ele pediu, inclusive, para que aqueles que conheçam histórias do gênero as relatem no e-mail peter_fenwick@compuserve.com.

 

Novas idéias

Fenwick considerou, ao final do evento, que ele pode ser analisado de três pontos de vistas diferentes. “O primeiro é o científico e, dentro dessa perspectiva, foi apresentada uma série de novas idéias, o que é excitante. O congresso mostrou também que precisamos de mais estudos para assegurar, de fato, a abrangência delas. Há muitas idéias novas aqui que não existem em outros lugares”, declarou Fenwick, que apontou como “maravilhosa” a forma como os espíritas vêem as pessoas. “É tudo muito humano. Isso traz um propósito verdadeiro à vida. Pela alegria com que vivem, os espíritas deverão viver bem e com saúde por um longo tempo”, acredita. O terceiro ponto a ser analisado, como apontou Fenwick, é relacionado ao Brasil. “É um lugar extraordinário, porque existe uma qualidade espiritual que eu nunca vi em nenhum outro país. Os brasileiros são muito abertos e têm um espírito leve por natureza. Tudo pode acontecer a partir deste congresso”, salientou. Questionado sobre a existência dos espíritos, o psiquiatra afirmou que acredita que existe uma consciência depois da vida. “Todas as evidências apontam nessa direção”, finalizou.

 

Yoga: aspectos positivos da alma

Na palestra Estados Elevados de Consciência e Saúde Mental, a psicoterapêuta Uma Krishnamurty afirmou que utiliza no seu trabalho a psicologia do Yoga, que, segundo ela, diferentemente da tradicional, faz emergir os aspectos positivos da alma. “A psicologia tradicional pesquisa os estados anormais da mente, trazendo maiores dificuldades de recuperação do paciente. E as técnicas do Yoga ajudam a transcender o espaço, fazendo com que a energia interior do ser flua para o exterior, permitindo, desta forma, a manipulação das emoções negativas, transformando-as em positivas”, declarou. “O foco central do modelo que emprego visa à manifestação do potencial divino humano”, completou.

O Yoga é uma filosofia com mais de 5 mil anos, que se baseia na de grandes mestres que buscam o alto nível de consciência.

Uma afirmou que a ignorância sobre a própria natureza divina do ser é a causa dos sofrimentos humanos. “O instrumento da manifestação divina na Terra é o corpo e o intelecto que é traduzido pela mente. E hoje a ciência está comprovando esta interação através da física quântica”, esclareceu. E salientou a importância da paz. “Gerá-la ao próximo é fazer a própria paz”.

A psicoterapeuta enfatizou ainda que Jesus foi o maior exemplo de aplicação desses preceitos, principalmente quando disse: “se alguém lhe bater à face direita, dá-lhe também a esquerda”.

 

Espíritas e não-espíritas falam a mesma linguagem em encontro internacional

Pesquisadores ingleses e americanos não- espíritas falando igual aos espíritas, a descoberta de que a ciência entrou em um ponto de intersecção com o Espiritismo e que é possível falar a mesma linguagem. Estas foram algumas das conclusões do II Encontro Internacional de Médicos Espíritas, que reuniu, em 21 de junho, no Anhembi, em São Paulo (SP), aproximadamente 700 pessoas.

O evento reuniu, pela primeira vez, cientistas não-espíritas, para discutir pesquisas que comprovem a existência do Plano Espiritual através da física quântica e das experiências de quase-morte. Participaram do evento o físico Amit Goswami, a psiquiatra Uma Krishnamurty, o neuropsiquiatra britânico Peter Fenwick e o psiquiatra americano Harold Koeing, que apresentou resultados de pesquisas que vêm sendo realizadas nos EUA sobre o poder da prece e da religiosidade.

“Além da troca de experiências, conseguimos a permissão para um intercâmbio com a Universidade de Duke, na Carolina do Norte (EUA), para realizar pesquisas sobre espiritualidade e Medicina. O doutor Harold Koenig, que vem realizando trabalhos nesse sentido, convidou-nos a ir aos EUA e desenvolver pesquisas conjuntas”, informa Sérgio Felipe de Oliveira, presidente da Associação Médico-Espírita de São Paulo (AME-SP). “Também iniciamos o mesmo protocolo de Experiência de Quase-Morte em hospitais de São Paulo, numa corrente em comum com 20 hospitais do Reino Unido a partir da orientação do doutor Peter Fenwick. Vamos trabalhar juntos em uma mesma rede”, comemora Sérgio Felipe.

Outro ponto positivo apontado pelo presidente da AME-SP ao final do evento foi a percepção de que grande quantidade de profissionais da área da Saúde e outros interessados nas pesquisas científicas estão querendo se coligar com instituições, universidades, hospitais, entidades ligadas à linha de pesquisa e que já estão se movimentando para começar a desenvolvê-las.

Além dos convidados já descritos, o evento contou com a participação de presidentes das associações médicos-espíritas da Argentina, Colômbia, Panamá, que enfatizaram a necessidade das escolas de Medicina na América Latina de incluir a disciplina de Medicina Energética ou Medicina Espiritual na formação dos médicos do século XXI. “A Medicina Energética, através das pesquisas reconhecidas mundialmente, vai abrir um mundo novo para a humanidade”, disse a presidente da Associação Médico-Espírita Internacional, Marlene Nobre. “Nosso objetivo com o congresso é mostrar que o médico do futuro não vai atender só de patologia, mas, se preocupar em dar amor e cuidar da alma. Estamos em plena integração da ciência com a religiosidade”, enfatizou.

 

Física quântica: consciência e a nova ciência da cura

Amit Goswami, PhD em Física, que desenvolveu trabalho científico pioneiro sobre a primazia da consciência, trouxe para o congresso a proposta de integrar nosso coração espiritual à mente científica, onde estariam inclusas a filosofia oriental, física quântica e a defesa de um novo comportamento baseado em valores humanos. Para isso, demonstrou como os princípios da nova ciência podem ajudar a despertar nossa criatividade interior, aprofundar a espiritualidade e viver como seres realmente livres.

Goswami iniciou sua palestra discursando sobre Medicina Integral, integração entre a Medicina tradicional (alopática) e todas as outras medicinas complementares, como a homeopatia, fitoterapia e muitas outras terapias alternativas, que, segundo ele, devem ser usadas a partir de agora pelos médicos. Nesse sentido, citou as medicinas indiana e a chinesa, lembrando das energias e fluidos que a última incorpora em seus tratamentos. “As energias sutis têm o poder de curar doenças, assim como a força da mente”, declarou, discorrendo sobre o dualismo que propôs: “como o corpo físico interage com um não-físico, se não há ligação física entre eles?”.

Com essa proposição, Goswami esclareceu que o momento é de mudança de perspectiva de visão para enxergarmos as coisas de outra forma. Apontou os tipos de corpos existentes e comprovados pela Física Quântica, como o corpo vital. E afirmou que a consciência é a base da vida, o agente causal da maioria das doenças que os homens desenvolvem. Para ele, redescobrir a eficácia da mente e o que podemos fazer com ela causará uma revolução na Medicina.

O físico apontou que o corpo vital é uma fonte para a Medicina e que as medicinas chinesa e indiana já o consideram como fator de extrema importância no momento de se estabelecer um tratamento. Ao citar como exemplo o coração, declarou que ele é o centro do corpo físico, mas, ao mesmo tempo, o do corpo vital, por ser também o centro do sentimento. Goswami acredita e utiliza o conceito de origem quântica de campos morfogênicos, que estabelece a comunicação entre as coisas.

Sobre a alopatia, afirmou que ela evoluiu muito nos últimos anos, mas que é útil para as doenças que ocorrem no corpo físico. “Mesmo assim, são venenos para o nosso corpo”, disse. “Mas as grandes doenças não são de origem genética, são causadas no corpo vital e devem ser tratadas neste mesmo corpo”, completou. Goswami definiu o conceito de doença como sendo uma sensação de estarmos separados. “Assim, a cura seria sentir o todo. Se mudarmos os nossos hábitos, mudaremos o nosso corpo vital”, finalizou. Sobre o Medinesp 2003, Goswami o considerou “muito bom” e disse que leva daqui a “energia do povo brasileiro”.

Amit Goswami, professor de Física na Universidade de Oregon por 34 anos, é autor dos livros Physics of the Soul e Integral Medicine, ainda não traduzidos para o Português, e O Universo Auto-Consciente e A Janela Visionária, este último lançado durante o Medinesp 2003. Confira abaixo alguns trechos de sua palestra:

“O que é a mente? O que ela pode fazer que o corpo não pode? Um computador pode substituir nossa mente? Em princípio, um computador processa símbolos, não significados. A mente produz significados dinâmicos...A todo instante pode fornecer uma interpretação nova da realidade, o que um computador jamais conseguirá realizar. E pela vida nossa mente pode nos trazer problemas em função da interpretação equivocada desta realidade”.

“Nós temos uma enorme capacidade de nos curarmos, tornando-nos pessoas mais otimistas. De alguma forma nós criamos a doença. Por exemplo, o ciúme ou a inveja. Este sentimento é uma falsa percepção do sentido. Interfere nos movimentos do corpo e em sua programação interna, fazendo com que o sistema imunológico seja afetado”.

“A doença nos dá uma grande oportunidade de acordar para o corpo supramental. A doença significa que uma representação em software de uma determinada função vital deu errado, e precisa de caminho novo e criativo. A cura mente-corpo ocorre quando a consciência criativamente provoca o colapso de novas possibilidades na mente quântica, o que induz o cérebro a criar uma nova representação, um novo caminho para a função vital afetada. A criatividade interior também pode começar com a intuição de que existe mais no ser além do ego. Isso leva a um desejo intenso de conhecer o eu, cuja natureza é a própria consciência”.

 

Religião,Espiritualidade e Medicina

Harold Koenig apresentou estudos sobre a Espiritualidade e Medicina
Um breve histórico da relação entre Medicina e Religião: na sociedade ocidental, os primeiros hospitais foram abertos pela Igreja Católica. Antes do século IV eles não existiam. A Igreja tomou para si a responsabilidade destas instituições, isto é, ela licenciava a Medicina. Muitos dos primeiros médicos eram padres e as primeiras enfermeiras, irmãs de caridade.

A psiquiatria também era parcialmente religiosa, havia o tratamento “moral”. O padre e a freira faziam parte da equipe assistencial, estavam diretamente ligados ao tratamento e cuidados com o paciente psiquiátrico.

Com o passar do tempo, a ciência foi se distanciando da religião e, conseqüentemente, a Medicina também passou a perder seus vínculos com a Igreja. Principalmente a partir do século XIX, as idéias científicas tornaram-se “anti-religiosas” como, por exemplo, para Freud a religião era uma “neurose obsessiva comunitária”. Assim, a religião começou a ser considerada como atividade insalubre, prejudicial à saúde.

Pesquisa - Em termos gerais, procura-se saber se, afinal, a religião tem efeitos positivos ou negativos no tratamento das doenças de um modo geral.

Há uma porcentagem referente às religiões mais presentes: 7% são humanistas, isto é, se dizem sem religião alguma; 7% são adeptos de religiões não estabelecidas, isto é, são os “místicos” (cristais etc.); o restante é adepto de religiões estabelecidas. Destes últimos, há aqueles que são adeptos de religiões orientais e outros de ocidentais (católicos, protestantes, judeus, muçulmanos). Os adeptos de religiões ocidentais são divididos em dois grupos: Tipo 1 - acreditam em uma cura miraculosa; e Tipo 2 (60%) - acreditam que a vontade de Deus seja feita.

Relato de caso - paciente do sexo feminino, de 83 anos, com estenose medular (doença compressiva da medula) com dores crônicas intensas, que não obtém melhora da dor com nenhum tipo de tratamento. Já tentou acupuntura, quiropraxia, massagens, além dos tratamentos tradicionais. Paciente com grandes dificuldades financeiras, mora sozinha, não tem ninguém que a ajude, ou seja, com múltiplas dificuldades. Apesar de tudo, vive muito bem sozinha, faz caridade, procura auxiliar outros pacientes e, inclusive, reza com eles. Possui uma fé profunda, com uma crença absoluta em Deus. Em seu relato diz “Não adianta orar sem fé”. Sente-se confortada e suas dores melhoram quando ora.

É freqüente esse tipo de comportamento? Muito mais freqüente do que se imagina. Há mais de 70 trabalhos relatando isso com as mais diferentes doenças (câncer, esclerose múltipla etc). Avalia-se os pacientes através de afirmações que lhes são dadas para ler e eles devem se manifestar dizendo o quanto concordam com elas. A partir daí, avalia-se o grau de concordância de cada um. Além disso, avalia-se o grau de fé dos indivíduos através de perguntas do tipo: freqüenta alguma igreja? Quantas vezes por semana? etc.

Alguns resultados - Estudo com 800 pessoas: bem-estar e esperança comparados com a freqüência à igreja. O bem-estar aumenta muito de acordo com a fé religiosa. O que poderia prever quem melhora? Com fé religiosa intrínseca, 70% melhora. Qual o efeito disso? Pessoas religiosas têm mais esperança, ‘vão mais à luta’, têm mais felicidade, mais bem-estar, não possuem tanto medo da morte, têm menos depressão, mais otimismo, saúde mental e apoio social. Jovens religiosos têm menor propensão a cometer atos hediondos (agressivos). As crenças religiosas permitem melhor pressão arterial sistólica, melhor sistema imunológico e sistema nervoso. A religião está conectada com a saúde? SIM. Estudo com 7 mil pacientes: Quem tem atividade religiosa (1 a 2 vezes por semana) tem 60% de chance de viver 6 anos a mais do que outros indivíduos cardiopatas (é o mesmo efeito de não fumar cigarros).

Há vários trabalhos publicados com estudos realizados que mostram a diferença entre os sistemas imunológicos, sobrevida, mortalidade, pressão arterial de pacientes com atividade e fé religiosa e pacientes que não os têm. O único achado que não é tão positivo é que indivíduos que têm fé e atividade religiosa são mais gordos...Há alguns livros interessantes sobre o assunto (a maior parte em inglês): “Manual da Religião e Saúde”, “Ligação entre Religião e Saúde”, “Espiritualidade no cuidado ao paciente”, “O Fator Fé”, “Dor Crônica”, entre outros.

Aplicações - Não se deve dizer ao paciente que ele deve crer em Deus ou orar. Em geral, os pacientes já são religiosos. O que o médico (ou qualquer profissional de saúde) deve fazer é aproveitar e utilizar esse histórico e incentivá-lo, apoiá-lo. Deve-se SEMPRE respeitar o paciente.

Os médicos podem rezar com seus pacientes. Quando esse tipo de apoio vem do médico, tem um poder imenso e muito forte, pois é cultural. Aquilo que vem do médico é seguro. Há um respeito muito grande. É mais poderoso do que se viesse de um padre. Pensa-se: ‘O doutor está disposto até a rezar comigo para que meu tratamento dê certo.”

Observou-se também que atendimentos de saúde ligados às atividades religiosas são extremamente positivos (enfermeiros dentro da igreja, por exemplo). Há um menor número de internações, com menor custo ao governo, há maior adesão ao tratamento e confiança no profissional.

Na apresentação acima, Harold Koenig nos surpreendeu com a apresentação de dados sobre os estudos de espiritualidade e medicina, mas posteriormente lembrou que no Brasil temos cerca de 100 institutos voltados ao estudo da Medicina, mas que nenhum deles possui em sua grade a matéria “Medicina e Espiritualidade”. Já nos EUA, segundo ele, de 126 estabelecimentos voltados a formação de médicos, 80 já aderiram ao programa de treinamento para lidar com o lado religioso e emocional dos pacientes e de 5% a 10% dos médicos americanos já possuem condições para dar abordagens espirituais e religiosas a seus pacientes.

Questionado sobre o motivo pelo qual a Medicina vem sendo empregada junto à espiritualidade em alguns hospitais americanos, Koenig respondeu que, em primeiro plano, esta junção se dá em respeito ao paciente e sua saúde, visto que a fé é uma prática que leva à melhoria física e mental. E que também favorece as pesquisas que estão sendo feitas sobre o tema. São cerca de mil estudos, apenas em inglês, que comprovam: rezar e ler a Bíblia auxilia a melhoria de pacientes em seus tratamentos médicos.

Sobre participar do Medinesp 2003, Koenig declarou ser muito importante um congresso com estas dimensões, aqui no Brasil. Segundo ele, é um lugar ideal para se debater religiosidade e espiritualidade, tendo em vista que o povo brasileiro é um dos mais religiosos do mundo. “E este tema é muito importante para o estudo da Medicina”, declarou.

 

Fé ajuda a suportar doença

Ao final da apresentação de Harold Koenig, o público pôde participar com perguntas. Abaixo, algumas das questões que foram tratadas com o médico americano:

O que o motivou a realizar esses estudos?
Koenig: A prática clínica. Meus pacientes buscavam a religião para suportar o tratamento. Além disso, fui criado no catolicismo e quando entrei na faculdade perdi quase todo contato com a religião. Ainda jovem desenvolvi artrite reumatóide com dor crônica e descobri que, para mim, a fé religiosa ajuda e muito a suportar minha doença.

Em seu departamento, há algum tipo de intercâmbio para conhecermos os protocolos de pesquisa?
Koenig: Temos uma irmandade de pesquisa. Estão todos convidados para visitar nossa associação. Estamos abertos a recebê-los para qualquer interesse de pesquisa.

O que acha que será futuramente a relação entre Religião e Saúde/Medicina?
Koenig: Os últimos 100-200 anos de separação entre a ciência e a religião estão chegando ao fim. A Medicina/Ciência está partindo para outra visão: o ser humano não é só um corpo físico. Mas é sempre bom lembrar que esse é um processo lento, apesar de que eu, particularmente, acho que está sendo até muito rápido. Segundo o Espiritismo, a dor é importante para o progresso da alma.

O senhor não acredita que pela sua experiência pessoal (o senhor transformou a dor em trabalho), estamos falando a mesma coisa?
Koenig: O sofrimento pessoal, a dor, é oportunidade para crescer espiritualmente. Com certeza estamos falando a mesma coisa e é por isso que estamos aqui, para evoluir espiritualmente. Como diz um escritor inglês: “A dor é um megafone de Deus para que não nos façamos de surdos perante suas leis”.