Pesquisa revela menor tolerância ao aborto

(matéria publicada na Folha Espírita em Novembro de 2007)




Depois de nove anos de ampla pesquisa realizada pelo Datafolha sobre as opiniões, valores e o comportamento dos brasileiros em relação à família, novo levantamento mostra que 87% dos entrevistados consideram fazer um aborto moralmente errado. A interrupção da gravidez não desejada despontou na pesquisa, realizada dias 1º  e 2 de agosto, com 2.095 brasileiros, de 211 municípios brasileiros, com a variação mais significativa, com um salto de 61% para 71% na taxa de rejeição, ou seja, 10 anos após a última pesquisa, ela cresceu 10 pontos percentuais.

“Nunca se falou tanto sobre aborto quanto nos últimos anos. Ele passou a ser uma bandeira de afirmação de que lado você está. No confronto, a posição compartilhada dos valores morais se reforça. Você quer se enquadrar no julgamento de uma boa mãe. Não podemos afirmar que são mudanças de prática, mas de narrativa”, disse a antropóloga Débora Diniz, professora de Bioética da Universidade de Brasília, à Revista da Folha, em edição especial publicada sobre o assunto em 7 de outubro. A também antropóloga Maria Luiza Heilborn, coordenadora do Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos, aponta outro fator responsável pelo crescimento da rejeição: a ultrassonografia. “Ao mostrarem uma imagem assemelhada à imagem humana, as novas tecnologias de visualização do feto proporcionaram uma mudança muito grande no imaginário social. Uma coisa que era oculta passou a ser visível”, afirma ela, que enxerga hoje, segundo a matéria, uma “ressacralização da vida pré-uterina”.

Gilson Luís Roberto, presidente da Associação Médico-Espírita do Rio Grande do Sul, avalia que a pesquisa do Datafolha é uma resposta da sociedade ao desrespeito, que se observa por parte de muitos, ao ser humano e à vida. “Apesar do panorama materialista e utilitarista em que vive o mundo, a sociedade brasileira dá uma lição de profunda sensibilidade e dignidade humanas. Ela vem referendar todo o esforço que se tem feito em defesa da vida, fortalecendo o movimento que trabalha nesse sentido e mostrando que estamos no caminho certo”, afirma. O médico acredita ainda que a sociedade precisa estar bem informada, desmascarando os apelos abortistas sustentados por ‘verdadeiras falácias e poderosos interesses econômicos’. “É preciso entender que a evolução de uma sociedade se dá pela sua capacidade de defender o mais fraco e que a criança abortada é aquela que mais necessita do nosso braço forte e amoroso”, declara.

Marília de Castro, do Movimento em Defesa da Vida, acredita que a expressiva maioria dos brasileiros valoriza a vida desde a concepção. “Em todos os cantos do mundo, somos vistos como um povo fraterno e alegre. E quem tem verdadeira alegria no coração, quem é fraterno, defende a vida de todos, não só a de si mesmo. É importante destacar que, embora um pequeno grupo queira mascarar o crime do aborto como algo moderno, as pessoas saem do silêncio e se colocam com espontânea coragem, protegendo o mais frágil: o nenê, a criança”.

Para a advogada, o resultado da pesquisa do Datafolha é um estímulo a todas as ações do Movimento em Defesa da Vida. “O povo está dando o recado. Sigamos em frente! Vamos levar esta bandeira do Norte ao Sul do País. A nossa mobilização deve ser permanente, desde pequenos grupos a grandes atos públicos. Ninguém pode ter liberdade, dignidade e igualdade se não tem o primeiro de todos os direitos: a vida. E nosso movimento de cidadania seguirá neste rumo”, avisa.

 

Família Ganha Pontos

A pesquisa do Datafolha traz outras informações importantes. O percentual dos que dizem que a família é muito importante em suas vidas subiu de 61% para 69%. Ela ocupa agora o primeiro lugar, em um ranking que inclui ainda estudo, trabalho, religião, lazer, casamento e dinheiro. A religião foi outro item que ganhou pontos: subiu de 38% para 45% a taxa dos que a consideram muito importante.

 

Abaixo-Assinado

O Movimento Nacional em Defesa da Vida – Brasil sem Aborto lançou, em 4 de outubro, na Câmara dos Deputados, em Brasília, campanha nacional pela coleta de cinco milhões de assinaturas contra a descriminalização do aborto no País.

O site do Movimento (www.brasilsemaborto.com.br) traz um modelo de abaixo-assinado, que pode ser acessado por qualquer pessoa ou entidade interessada em coletar as assinaturas em sua comunidade ou região. O material recolhido deve ser enviado para o comitê estadual mais próximo (os endereços podem ser encontrados no site), ou para a coordenação nacional, em Brasília: SEPS 714/914, sala 212, Edifício Porto Alegre.

Telefone (61) 3345-0221.

Outras informações no site ou com o coordenador nacional do Movimento Nacional em Defesa da Vida – Brasil sem Aborto, Jaime Ferreira Lopes, pelo telefone (61) 8117-9107.