DIREÇÃO E BEBIDA: UMA EPIDEMIA ??
(MATÉRIA PUBLICADA NA FOLHA ESPÍRITA EM DEZEMBRO DE 2006)
WALTER GRACIANO JUNIOR

Vida Urgente

Apesar de sabermos dos problemas enfrentados todas as noites nas cidades, há uma galera que fica irada quando o pai ou a mãe resolve controlar sua “saída” ou, simplesmente, ir levar e buscar o filho em algum lugar. Todos querem liberdade, brigam por ela, porém, quando conquistam, aproveitam-na muito pouco.
E é essa galera que faz parte das tristes estatísticas das mortes no trânsito. Saem da balada após várias doses de bebida e resultam nas 20 mil mortes por ano no Brasil. Uma média de 1,7 mil por mês, 55 por dia, duas por hora. E nesses números não estão incluídos os que são levados em estado grave para os hospitais e lá morrem.
Pais, irmãos, namorados, amigos, todos sofrem muito quando caem na real. Vale a pena lembrar que essa dor não permanece somente nos que ficam. Através de inúmeras mensagens recebidas por Chico Xavier e outros médiuns, nos espíritos que passaram por essa experiência a dor é muito grande, e o arrependimento, nem se fala!
Foi por essa razão que a arquiteta Diza Gonzaga e o marido, engenheiro-professor Régis, criaram a Fundação Vida Urgente, que neste ano completou dez anos de existência com mais de 2 mil voluntários.
Vida Urgente começou quando Diza perdeu seu filho, Thiago, que havia acabado de completar 18 anos. Ao sair de uma festa, ele pegou carona com um amigo e dormia no banco de trás, quando o carro, em alta velocidade, bateu num contêiner cheio de entulho, estacionado em local proibido.
Em entrevista, Diza alerta: “A morte de um filho muda a vida da família. É uma dor horrível, que não passa nunca. Uma dor que se sente fisicamente, como se tivesse uma faca cravada no peito. Eu me lembro que, naquela madrugada, quando vi o Thiago no asfalto, tive a impressão de que podia fazê-lo voltar para dentro da minha barriga e começar tudo de novo. Mas sou otimista: continuo vivendo e sendo feliz, embora a vida tenha ficado em preto e branco para mim.”
Quando a campanha começou, as estatísticas diziam que, a cada fim de semana, morriam sete jovens em acidentes de trânsito em Porto Alegre (RS). Hoje, esse número baixou para três. Diza tem certeza de que a campanha Vida Urgente é responsável por essa redução.
A ação do Vida Urgente é direta e prática. Um dos movimentos é o “madrugada viva”, em que os voluntários saem pelas noites de Porto Alegre observando e orientando jovens para que não dirijam embriagados. O símbolo da fundação é a borboleta, que é distribuída para aqueles que não estão bebendo e podem servir de carona. Eles possuem até ônibus à disposição dos que não têm condições de dirigir: o “buzoon, telentrega de bebum”.
Além dos programas dirigidos aos jovens, a fundação mantém grupos de apoio para pais que perderam filhos no trânsito. No momento, está colocando em prática mais uma ação, o projeto Contador de Histórias, dirigido à conscientização das crianças dos jardins de infância. Sua ação não permanece somente na Região Sul. Através de treinamentos e peças de teatro, está se espalhando pelo Brasil.
“Eu não quero ver jovens que cometeram delitos no trânsito presos. Até porque sabemos que o sistema carcerário não tem recuperado muita gente. Mas gostaria que as penas fizessem as pessoas refletirem, carregando macas de acidentados em prontos-socorros, visitando centros de reabilitação”, sugere Diza.
Para mais informações, acesse o site www.vidaurgente.org.br