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CIRURGIA PLÁSTICA: AUMENTO DA AUTO-ESTIMA
(matéria publicada na Folha
Espírita em janeiro de 2005)
A Folha Espírita entrevistou
o Dr. Ivo Pitanguy, cirurgião plástico reconhecido internacionalmente)
Professor Titular do curso de Pós-graduação
em Cirurgia Plástica, vinculado à Pontifícia Universidade
Católica do Rio de Janeiro e ao Instituto de Pós-graduação
Médica Carlos Chagas, Ivo Pitanguy é membro das mais importantes
sociedades de cirurgia plástica e associações médicas,
tanto brasileiras como estrangeiras, bem como de outras organizações
culturais e ecológicas. É também diretor da Clínica
Ivo Pitanguy, instituição pioneira e particular que atende,
desde 1963, pacientes de todas as partes do Brasil e do mundo, em procedimentos
estéticos e reconstrutores, que também atua como centro
de aperfeiçoamento e estudos em cirurgia plástica. Na entrevista
abaixo ele fala do porquê de ter escolhido a profissão, beleza,
necessidade de cirurgias, auto-estima e a força da fé.
Folha Espírita – Por
que escolheu a cirurgia plástica como especialidade?
Ivo Pitanguy – Após a especialização
em Cirurgia Geral, senti a necessidade de me aprimorar mais na área
cirúrgica e, portanto, iniciei uma longa e árdua peregrinação
por diversos serviços nos Estados Unidos e Europa. Estudei com
o professor John Longacre, em Cincinnati (EUA), e com o professor Marc
Iselin, em Paris, na França, e percebi a importância da cirurgia
reparadora e estética. Ao retornar ao Brasil, fundei o primeiro
serviço de queimados do Rio de Janeiro, no Hospital Souza Aguiar,
e o primeiro serviço de Cirurgia Reparadora e da Mão da
América Latina, no Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia
do Rio de Janeiro. Posteriormente, estudei com sir Harold Gillies e sir
Archilbald McIndoe, na Inglaterra, e com o professor Promfet Kilner, em
Oxford, o que fortaleceu em mim a vontade de me dedicar à cirurgia
plástica.
FE – Quantas cirurgias já
realizou?
Pitanguy – Se considerarmos a Santa Casa e minha
clínica privada, atendi, juntamente com meus assistentes, em torno
de 90 mil pacientes, sendo que pelo menos 40% deles submeteram-se a algum
procedimento cirúrgico.
FE – O que significa a cirurgia
plástica na vida das pessoas?
Pitanguy – A cirurgia plástica tenta remediar
as más-formações e deformidades que afligem o ser
humano e diminuem sua auto-estima. Ao corrigir essas alterações,
o paciente sente-se confiante e integrado ao meio social que o cerca.
FE – As pessoas devem se preocupar
com a beleza física? É excesso de vaidade?
Pitanguy – Estamos vivendo um momento em que há um culto
muito grande da juventude, não somente no Brasil, mas em todo o
mundo. Esse culto está dentro do marketing, vendendo muitos produtos,
cosméticos, alimentos. No meu ponto de vista, esse marketing está
errado, pois o jovem de hoje será o idoso de amanhã. Na
realidade, acho que isso é uma fase transitória, pois o
ser humano tem de viver dignamente cada momento da vida. A juventude é
tão boa que seu único problema, segundo o filósofo
Bertrand Russel, é que é dada aos jovens que não
têm a capacidade de apreciá-la.
FE – Quando deve-se procurar
um cirurgião? Como escolhê-lo?
Pitanguy – Quando a pessoa não se sentir
bem consigo própria, não aceitar sua imagem. Ninguém
quer ser diferente, pois ao ser igual ao seu próximo ele será
aceito em seu meio. A cirurgia pode trazer de volta a alegria de viver
em paz com sua imagem. Na Santa Casa e na minha clínica privada,
lido com pacientes de diferentes classes sociais, porém percebo
que os anseios são os mesmos. Procure um cirurgião que o
escute, o entenda, que tenha um apurado conhecimento técnico, membro
especialista ou titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.
FE – Se o paciente falece
em uma cirurgia plástica a inconformação e a cobrança
por parte dos familiares são maiores?
Pitanguy – A cirurgia plástica é
um ramo da cirurgia sujeito a riscos imponderáveis, como qualquer
especialidade cirúrgica. Procuramos sempre nos cercar de todas
as precauções possíveis, mas não somos deuses,
não temos como garantir de forma absoluta os resultados finais.
Evidentemente que a qualidade cirúrgica e anestésica, sendo
do mais alto nível, diminui os riscos. Quando acontece o imponderável,
o desconforto e a desolação são enormes, tanto para
o cirurgião quanto para os familiares.
FE – Soube que há muitos
anos o senhor faz cirurgias reparadoras para pessoas carentes. Poderia
nos dar uma estimativa de quantas já foram realizadas? Há
alguma história de algum paciente que o tocou mais?
Pitanguy – Na Santa Casa, já atendemos mais
de 40 mil pacientes. O trabalho é diário e muito gratificante,
pois cada paciente é diferente do outro e, portanto, especial.
FE – O senhor apontou em seu
livro a presença de espíritos que o auxiliam em suas cirurgias.
Como é esse trabalho conjunto?
Pitanguy – Em meu livro declarei sobre a imensidade
do universo que nos é desconhecido e que é sempre bom termos
um anjo da guarda para nos proteger.
FE – Como vê a união
da Medicina à Espiritualidade? Para o bem-estar do paciente e do
próprio médico, o senhor crê que elas sejam inseparáveis
e devam estar presentes no curso de Medicina?
Pitanguy – Um dos principais papéis da Medicina
é mostrar que não existem doentes e, sim, doenças.
Quando o diagnóstico é feito, no entanto, temos a parte
somática e a parte anímica que se entrelaçam. Conhecemos
inúmeros casos de cura inexplicáveis do ponto de vista da
ciência, o que nos mostra a existência do lado espiritual,
a força da fé. Devemos, portanto, unir os conhecimentos
científicos com o desenvolvimento psíquico e espiritual
do paciente.
Excesso de vaidade?
A Associação Médico-Espírita do Brasil (AME-Brasil)
tem recebido várias consultas sobre a realização
de cirurgias plásticas, principalmente no que diz respeito a sua
correta aplicação. Do ponto de vista espiritual, quando
a pessoa poderia lançar mão de semelhante recurso? Ao aderir
a ela, não poderia cometer abusos ou descambar para exageros por
excesso de vaidade?
Segundo Marlene Nobre, presidente da AME-Brasil, a questão
é complexa, porque cada caso é um caso. “Descambar
ou não para exageros é uma questão de foro íntimo,
uma vez que cada pessoa tem liberdade para decidir o que é prioritário
em sua vida. Muitas recorrem a um número exagerado de cirurgias
plásticas por insatisfação profunda do próprio
eu, por doença da alma”, declara. “O cirurgião
plástico tarimbado sabe como lidar com essa e outras dificuldades,
apelando, inclusive, para o auxílio de psicólogos e cuidadores
especializados, que procuram amenizar as angústias da alma humana.
Podemos constatar, pelas respostas precisas do dr. Ivo Pitanguy, um dos
cirurgiões plásticos mais respeitados do mundo, à
Folha Espírita, a justa aplicação da cirurgia reparadora
e estética. Muito útil também no esclarecimento da
questão espiritual é a resposta que Chico Xavier deu quando
consultado sobre o assunto. A conclusão fica a critério
de cada um”, completa.
Provação
Certa vez, um médico indagou a opinião de Chico
Xavier sobre a questão da correção de problemas estéticos,
através de cirurgia plástica, tendo em vista os resgates
reencarnatórios. Veja abaixo a resposta dada pelo médium
e que foi publicada no livro Lições de Sabedoria, da FE
Editora.
“Nós pensamos, com os amigos que se comunicam
conosco, que nem toda provação deve perdurar durante a existência
inteira. Chega o momento em que essa provação pode ser extinta
e renovada para o bem, reformada para a felicidade da criatura. A cirurgia
plástica regeneradora é uma ciência que vem em benefício
de nós outros, porque muitos de nós precisamos do rosto
mais ou menos bem composto, das pernas fortes, ou mesmo de outros sinais
morfológicos do corpo corretos para cumprir bem a tarefa. Eu conheço
uma amiga que é manequim e ganha a vida para sustentar o marido
que está num sanatório. Por que razão impedir que
ela faça a cirurgia plástica nos seios, quando estes estão
defeituosos?”.
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