CLONAGEM HUMANA TERAPÊUTICA

(matéria publicada na Folha Espírita em setembro de 2004)

A clonagem humana terapêutica produz, em laboratório, embriões humanos, com a finalidade de retirar deles as células-tronco.

Na clonagem humana terapêutica são produzidos, em laboratório, embriões humanos, com a finalidade de retirar deles as células-tronco ou “sementes da vida”, presentes dos cinco aos 15 dias iniciais do desenvolvimento, para fabricar, com elas, tecidos diversos – nervoso, pancreático, muscular, etc. – que serão utilizados na cura de moléstias, tais como o Mal de Parkinson, diabetes e distúrbios musculares cardíacos, entre outros.

Qual a melhor atitude bioética diante dela? A resposta não é fácil. O dilema é o mesmo que o dos embriões congelados. Vejamos o que dizem as revelações espirituais.

O Livro dos Espíritos (Q. 344) esclarece que o espírito reencarnante se une ao corpo no momento da concepção, isto é, no instante da formação do zigoto ou célula-ovo. Segundo Kardec (A Gênese, cap. XI), essa célula inicial exerce sobre o espírito uma atração tão irresistível, que ele, geralmente, une-se a ela, instantaneamente, através de “um laço fluídico” do seu perispírito ou corpo sutil. No livro Missionários da Luz (cap. 13), André Luiz descreve o instante da concepção ou fertilização como sendo o das primeiras movimentações do espírito na matéria, quando começa, então, a estruturar o novo corpo. Ele atua sobre a célula-ovo como um vigoroso modelo, como se fosse um ímã entre limalhas de ferro.

Há, porém, um complicador, uma outra informação importante: nem sempre o zigoto tem espírito ligado. Isto fica claro em O Livro dos Espíritos (Q. 355 e 356) e Evolução em Dois Mundos (2ª parte, cap. XIII). Como ter certeza de que não há ligação perispírito–zigoto? Pelo sim, pelo não, é preciso pesquisar.

Cremos que as experiências científicas de Harold de Saxton-Bürr (Inglaterra), com os life fields (campos da vida), as de Hernani Guimarães Andrade (Brasil), com o Campo Biomagnético, e as de Rupert Sheldrake (EUA), com os Campos Morfogenéticos e a Ressonância Mórfica, poderiam ser aplicadas, para se saber se os embriões de laboratório têm laços sutis (perispirituais) ou não. Isto não é impossível, mas, na prática, as associações médico-espíritas ressentem-se da falta de tecnologia suficientemente desenvolvida e de subsídios para a investigação. Desse modo, no momento atual, pelo respeito que têm pelo embrião, elas não podem dar o aval à clonagem humana terapêutica, aguardando maior desenvolvimento no campo da medicina energética.

Assim, a conduta dos que integram o movimento médico-espírita é a de dar maior ênfase ao uso terapêutico das células-tronco adultas, as que o indivíduo tem de reserva, e que o acompanham, desde o nascimento, sem necessidade de se recorrer à clonagem humana. Como exemplo de utilização das células-tronco adultas, citamos o importante trabalho realizado, no Brasil, pelo biólogo Radovan Borojevic e pelo médico Hans Dohmann, do Hospital Pró-Cardíaco, ambos do Rio de Janeiro, que utilizaram as células-tronco da medula óssea dos próprios pacientes para lhes recuperar o músculo cardíaco, extremamente lesado. Muitos desses pacientes, que só sobreviveriam através de um transplante do coração, estão recuperados, com um procedimento que durou apenas 48 horas e é muito menos invasivo e sem risco de rejeição.

Reconhecemos, todavia, que a ciência tem seu percurso próprio, cabendo-nos respeitá-la, consoante as próprias lições de Allan Kardec.

O fato, porém, de respeitarmos esses avanços, não significa aceitação tácita de liberdade ética indiscriminada para o cientista.

O pesquisador despreocupado das questões espirituais prosseguirá, normalmente, com a clonagem humana terapêutica. Para os especialistas espíritas, porém, as indagações bioéticas continuam em aberto, aguardando progressos tecnológicos na área da pesquisa espiritual e, sobretudo, avanços humanos, no campo do amor e da misericórdia.