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DISSERTAÇÃO DE MESTRADO APONTA QUE A PRÁTICA ESPIRITUAL
PODE SER UM TRATAMENTO EFICAZ
NA DEFICIÊNCIA METAL
(matéria publicada na Folha
Espírita em outubro de 2005)
A Folha Espírita entrevistou
o Dr. Frederico Leão, psiquiatra
A prática espiritual, quando empregada em conjunto
com padrões médicos convencionais, pode ser um tratamento
eficaz para a deficiência mental. É o que concluiu o médico
psiquiatra Frederico Leão, 44, em sua dissertação
de mestrado defendida no Instituto de Psiquiatria (IPq), da Faculdade
de Medicina da USP (FMUSP). O pesquisador analisou os casos de 650 pacientes
internados nas Casas André Luiz, onde é diretor clínico,
e verificou que aqueles que foram submetidos a sessões espirituais
obtiveram melhoras significativas. Leão utilizou a metodologia
científica (estatística e escala psiquiátrica de
avaliação) para analisar o efeito das sessões mediúnicas.
Folha Espírita –
A prática espiritual é um tratamento eficaz para a deficiência
mental?
Frederico Leão – Sim, estudos no mundo
inteiro, mas principalmente nos Estados Unidos e Europa, têm demonstrado
evidências científicas da eficácia de práticas
espirituais associadas à saúde física e mental. A
própria Organização Mundial de Saúde tem revisto
o seu conceito de saúde/doença como um equilíbrio
do bem-estar físico, emocional, espiritual e social. Esses trabalhos
científicos, publicados nas revistas médicas de impacto,
têm apresentado efeitos positivos da associação de
preces e outras práticas espirituais, quando comparados com grupos
em que não ocorrem essas ações.
FE – Como o senhor chegou
a essa conclusão?
Leão – Tenho trabalhado nos últimos
sete anos em uma instituição espírita de saúde,
o Centro Espírita Nosso Lar Casas André Luiz, onde essas
práticas espirituais são executadas paralelamente às
práticas médicas e multidisciplinares convencionais. E tenho
observado diversos casos em que ocorrem efeitos positivos na saúde
e no comportamento de pacientes que foram submetidos às práticas
espirituais que acontecem na instituição. Em função
disso, foi desenvolvido por nós um projeto de pesquisa, em parceria
com a Faculdade de Medicina da USP, visando a avaliar o impacto dessas
práticas espirituais de uma forma sistêmica e científica
nos pacientes. Esse estudo, que constituiu uma dissertação
de mestrado defendido na pós-graduação FMUSP, evidenciou
efeitos positivos.
FE – Que tipo de prática
espiritual deve adotar o paciente?
Leão – A prática espiritual adotada
pelo paciente deve ser aquela que estiver em harmonia com suas crenças.
No nosso estudo, baseamo-nos nas práticas espirituais adotadas
pelo Centro Espírita Nosso Lar Casas André Luiz, com base
na Doutrina Espírita, que se constituem principalmente de energização
e reuniões mediúnicas. Mas há estudos, principalmente
fora do Brasil, associando outras práticas espirituais, como, por
exemplo, a prece intercessória.
FE – O paciente mental segue
orientações?
Leão – O estudo desenvolvido nas Casas André
Luiz teve como população pessoas portadoras de retardo do
desenvolvimento mental, que participaram sem estar presentes fisicamente
em reuniões mediúnicas. Essa participação
foi mediada por médiuns, que funcionaram como intermediários
na comunicação com os pacientes. Portanto, eles não
tinham consciência dessa participação. A identificação
da participação do paciente na reunião mediúnica
era feita por critérios estabelecidos pela pesquisa. Portanto,
a condição de portador de retardo de desenvolvimento mental
não era impedimento e nem a compreensão do paciente era
condição para o estudo.
FE – Qual foi o seu método
de avaliação?
Leão – O método adotado foi um ensaio
clínico duplo-cego, em que toda a população do Centro
Espírita Nosso Lar Casas André Luiz, constituída
de 650 pacientes, foi submetida a duas avaliações utilizando
uma escala de observação de pacientes psiquiátricos
internados (EOPPI), realizada por entrevistadores previamente treinados.
Foi constituído um grupo experimental por pacientes que participavam
de reunião mediúnica sem o conhecimento dos entrevistadores.
Posteriormente, esse grupo experimental foi comparado com o grupo-controle.
FE – O que ele considera?
Leão – O método considera as variações
clínicas e comportamentais ocorridas nos dois grupos (experimental/
controle) e verifica significância estatística.
FE – Com a conclusão,
mudou algo em seu trabalho?
Leão – A conclusão do estudo demonstrou
evidências científicas de que as práticas espirituais
estudadas trazem benefícios na saúde clínica e comportamento
dos pacientes, levantando novas questões e estimulando novas pesquisas.
FE – E nas Casas André
Luiz?
Leão – A instituição sentiu-se
estimulada a dar continuidade às práticas espirituais já
adotadas e incremento de novas. Uma maior integração entre
equipe técnica e voluntários que prestam assistência
espiritual. |