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EVENTO SOBRE EQM REUNIU 2 MIL PESSOAS NA FRANÇA
(matéria publicada na Folha Espírita em agosto de 2006)
Mais de 2 mil pessoas, entre médicos, pesquisadores internacionais
e testemunhas, principalmente de várias regiões da França
e Bélgica, Suíça e Quebec, no Canadá, participaram
dos Primeiros Encontros Internacionais sobre Experiências de Quase-Morte
(EQM) – 30 Anos de Reflexões, em 17 de junho, em Martigues
(Bouches-du-Rhône), França. O evento, que teve por objetivo
traçar um balanço dos conhecimentos sobre o fenômeno
da maneira mais científica possível, foi um grande sucesso,
segundo noticiou a imprensa francesa, com apresentações
e troca de informações entre pesquisadores e sobreviventes
que passaram por essa experiência.
O encontro marca ainda, segundo os oradores presentes,
o começo de uma nova etapa para a pesquisa e a compreensão
do fenômeno, não só pelo que representou, mas também
por todas as aberturas que proporcionou. Surgiu, por exemplo, a constituição
de um grupo de trabalho e reflexão sobre o tema, como fruto de
uma reunião, conduzida paralelamente ao encontro, pelo Dr. Raymond
Moody, um dos grandes divulgadores da EQM no mundo.
Organização
Os Primeiros Encontros Internacionais sobre Experiências
de Quase-Morte (EQM) foram organizados por Sonia Barkallah, 28, uma enfermeira
francesa que não passou por uma EQM, mas já viveu vários
estados alterados de consciência. Aos 11 anos, ela afirma ter se
sentido aliviada depois de ler Vida depois da Vida, de Raymond Moody;
aos 14, fez sua primeira saída do corpo e, aos 19, após
“ter se emocionado com testemunhos no documentário sobre
Vida depois da Vida”, decidiu que tinha de produzir um sobre EQM
para sensibilizar milhões de pessoas. “Nos meus encontros
com numerosos cientistas, tomei consciência de que nesse campo faltava
muita informação e aí tive a idéia de realizar
os Encontros, reunindo todos os grandes pesquisadores em torno de uma
mesa para tomar conhecimento dos trabalhos. Era a ocasião de criar
um evento que me permitisse realizar o documentário sobre EQM”,
declarou Sonia à revista francesa Revue De L´audelà,
em sua edição de maio. De fato, em 17 de junho, o documentário
começou a ser rodado, no evento.
Encontro
O encontro começou com uma lembrança histórica
feita por Raymond Moody, Patrice Van Eesel e Évelyne Sarah Mercier.
Dr. Pim Van Llomel, cardiologista dos Países Baixos, explicou como,
ao término de um estudo de oito anos, chegou à convicção
de que as EQMs não são frutos da imaginação.
Abordou o deslocamento da consciência e da memória, questão
também tratada por médicos que consagram seus trabalhos
a esse estudo: Sam Parnia (Reino Unido), Pierre Jourdan (França),
Sylvie Dethiollaz (Suíça) e Jean-Jacques Charbonnier (França).
A idéia era colocar em evidência a evolução
do olhar científico, com a participação dos drs.
Raymond Moody e Jean-Jacques Charbonnier, de Xavier Rodier (enfermeiro,
que se interessa pela EQM de crianças) e do Dr. Jean-Pierre Jourdan,
responsável pela Associação Internacional de Estudos
da EQM (Iands), na França.
As transformações que se seguem à
EQM foi outro assunto tratado, pela Dra. Sylvie Dethiollaz e Dr. Mario
Beauregard (Canadá), assim como a EQM de surdos e cegos. O evento
foi encerrado com uma síntese de Raymond Moody sobre o tema geral:
como suplantar o luto. E Dr. Charbonnier fez uma reflexão sobre
as linhas de pesquisa e o futuro.
Experiências ainda são ‘ovni’ científico
Médico anestesista, Dr. Jean-Jacques Charbonnier, que
participou do evento, colheu, pessoalmente, numerosos relatos de experiências
de quase-morte. “Pessoas em estado de morte cerebral viram o que
se passava na sala de espera ou ao redor delas, com detalhes muito precisos.
Não se trata de alucinação uma vez que era bem real”,
ressaltou ele, que admitiu ter tido várias vezes uma espécie
de elo telepático com pacientes em coma.
“São pessoas que estiveram bem próximas
da morte, seja por acidente, seja quando de uma operação,
e que trouxeram do coma um relato que foge do comum. Elas estavam acima
do seu próprio corpo, ouviam o que os médicos diziam sobre
elas, foram aspiradas para dentro de um túnel sombrio no fim do
qual encontraram uma luz intensa, mas que não as cegou”,
resumiu Sonia à agência de notícias France Press (AFP).
“Quando o eletroencefalograma é plano, eles passeiam em pensamento,
lêem às vezes o dos outros e encontram freqüentemente
no fim do túnel ‘seres de luz’, ou pessoas próximas
que morreram lhes dizem que o momento não é chegado para
eles”, completou.
Segundo Charbonnier, as pessoas freqüentemente
saem mudadas de uma EQM, tornando-se “mais altruístas e desapegadas
dos valores materiais”, e a experiência é na sua maior
parte vivida positivamente (mais de 90% dos testemunhos).
Conforme classificou a AFP, os múltiplos testemunhos sobre as experiências
de quase-morte vividas por pacientes em coma começaram a ser estudados
pelos médicos há três décadas, mas ainda são
consideradas uma espécie de “ovni” científico.
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