EXPERIÊCIA INÉDITA EM TRANSCOMUNICAÇÃO INSTRUMENTAL

(matéria publicada na Folha Espírita em março de 2005)

Uma experiência histórica conduzida e supervisionada por investigadores de diversos países, com anos de trabalho na área de Transcomunicação Instrumental (TCI).

Uma experiência histórica conduzida e supervisionada por investigadores da Itália, Portugal e Reino Unido, com muitos anos de trabalho na área de Transcomunicação Instrumental (TCI) e em outras áreas de investigação psíquica, na tarde de 5 de dezembro de 2004, marcou a história desse tipo de comunicação no mundo: espíritos permaneceram falando, mesmo com a retirada de válvulas do rádio usado no experimento, e não tiveram as vozes alteradas.

Segundo Anabela Cardoso, diplomata portuguesa que estava presente no experimento e o relatou na edição nº 20 de Cadernos de TCI, do qual é editora, foi uma das experiências mais extraordinárias de sua vida. “Apenas as minhas próprias experiências, a partir de 1998, com vozes de pessoas que se identificaram como falecidos falando da Estação Rio do Tempo, tiveram mais impacto”, lembra.

A sessão experimental aconteceu no Centro Psicofônico de Marcelo Bacci, em Grosseto, na Itália. Bacci é um dos mais destacados investigadores internacionais dos fenômenos de Transcomunicação Instrumental, campo no qual trabalha há mais de 30 anos e tem tido muito êxito em suas próprias experiências. Ele se dedica, sobretudo, a trabalhar com pais e mães de crianças mortas, que vivem num traumático processo de luto, mas preocupa-se também em trabalhar com cientistas a fim de demonstrar a credibilidade de seus resultados.

“Em sua experimentação, ele usa o método das Vozes Diretas de Rádio (VDR), que procura obter comunicações diretamente dos alto-falantes dos rádios. As vozes assim recebidas referem-se freqüentemente aos que as escutam pelos seus nomes, respondem a perguntas que o experimentador ou os presentes lhes fazem e algumas vezes dão informações relevantes e extensas. Na sua experimentação, Bacci prefere rádio a válvula sintonizado no ruído branco das ondas curtas”, conta Anabela. A experiência ocorrida em 5 de dezembro foi a continuação de investigações bem-sucedidas anteriormente levadas a cabo com as vozes recebidas por Bacci através do método VDR.

Sessão histórica
Segundo relata Anabela Cardoso, quando a sessão experimental começou, Bacci sentou-se em frente ao seu rádio Nordmende, modelo Fidelio, anos 50. À sua esquerda ficou David Fontana, professor de Psicologia, antigo presidente da Sociedade Britânica de Investigação Psíquica e atual presidente da Comissão para a Investigação da Sobrevivência da entidade. Atrás de si, a própria Anabela. Robin Foy, líder da conhecida investigação Scole no Reino Unido e especialista em fenômenos físico-psíquicos, sentou-se à direita de Bacci. Todos estiveram sempre na mais estreita proximidade de Bacci, a quem podiam tocar em qualquer momento. Também estavam presentes, entre outros, o engenheiro aeronáutico Paolo Presi, há muitos anos investigador dos fenômenos Bacci, e Luciano Manzini, responsável pelo registro das sessões em fita áudio e transcrições das comunicações. Na sala estiveram presentes 37 pessoas. Além das citadas acima, outros colaboradores de Bacci e suas mulheres, experimentadores admitidos excepcionalmente à sessão e algumas mães que perderam seus filhos. Ninguém participou da experiência, a não ser Bacci e os investigadores acima mencionados.

“O rádio foi colocado sobre um banco de trabalho contra a parede, diretamente em frente aos investigadores e em posição que sua parte traseira ficou inacessível e só podia ser alcançada por alguém que se debruçasse sobre o banco. Na inspeção feita antes da experiência, verificou-se que não havia nenhum acesso ao aparelho por buracos no banco ou parede”, descreve Anabela.

Segundo ela, o experimento teve início às 19h, com a conexão dos gravadores de áudio (analógicos e digitais) para registrar os acontecimentos. “Bacci acendeu o rádio selecionando a banda de ondas curtas. Como é sua prática habitual, começou a mover lentamente o botão de sintonia na banda dos 7 aos 9 MHz. Como era de se esperar, isso produziu uma série de transmissões de rádio entrecortadas por ruído branco, durante uns 20 minutos, até que Bacci disse: ‘sinto-os, vão vir’. Nesse momento, ele deixou de girar o botão de sintonia e escutou-se o ruído branco mudar para um som como o causado por um torvelinho de uma corrente de ar ou de ondas. Pouco depois que esse ruído terminou (mas voltou a escutar-se simultaneamente com as vozes muitas vezes durante a experiência, como se fora o portador de palavras), começaram-se a ouvir vozes que provinham do rádio. As primeiras palavras foram em italiano e outras em castelhano. Bacci, em italiano, informou os comunicadores de que poderiam falar em português, inglês ou espanhol. Eles dirigiram-se então a David Fontana e Robin Foy em inglês e a mim em espanhol”, conta.

Na sessão que se seguiu, que durou aproximadamente uma hora, de acordo com a editora de Cadernos de TCI, escutou-se o que pareciam ser cinco ou seis vozes distintas que falaram em inglês, castelhano e italiano. “Algumas delas tinham claridade semelhante a das vozes normais, outras tinham a sonoridade característica de muitas vozes de TCI, que as torna diferentes da articulação normal. Essas vozes tinham também a semântica estranha que caracteriza muitas comunicações de TCI. Elas referiam-se aos presentes pelos nomes próprios. Algumas responderam a perguntas numa língua distinta da utilizada pelo interrogador e algumas vezes mudaram de idioma no decurso de suas respostas. Nem todas tiveram respostas e algumas foram respondidas após uma pausa”, diz Anabela.

Válvulas
O incidente mais significativo, que marca essa experiência como histórica, não só no campo de investigação de TCI, mas também na área de investigação de fenômenos psíquicos em geral, ocorreu quase no final da sessão. “Aproximadamente uma hora depois do começo das vozes e enquanto elas continuavam, foram retiradas cinco válvulas – ECC85, ECH81, EF89 (amplificador de freqüência intermédia), EABC80 (detector de AM/FM e amplificador de baixa freqüência) e EL84 (amplificador de potência final). Elas puderam ser vistas fora do rádio e colocadas à vista de todos sobre o banco de trabalho. Mesmo com a ausência de válvulas, as vozes continuaram com o mesmo volume e claridade de antes. O fenômeno durou dois minutos e 20 segundos com o rádio apagado”, lembra Anabela.

Segundo ela, nas três etapas da experiência (rádio ligado com as válvulas na sua posição normal, rádio ligado com as válvulas extraídas e rádio desligado com as válvulas extraídas) as vozes saíam inequivocadamente do alto-falante do rádio, mantendo sempre a mesma claridade e o mesmo volume depois de o aparelho ter sido desligado. “Voltou-se a ligar o rádio durante um breve período, mas não se produziram mais vozes e a experiência foi concluída”, relatou.

• Detalhes do experimento estão descritos no Cadernos de TCI, que pode ser acessado pelo www.terra.es/personal2/986313268

• Para se comunicar com Anabela Cardoso basta enviar e-mail para cadernostci@terra.es

Filme que trata do tema chega aos cinemas
O filme Vozes do Além (White Noise), em cartaz nos cinemas brasileiros, trata de um tema bastante comum aos espíritas: a Transcomunicação Instrumental, ou TCI, que é a forma de comunicação dos espíritos (desencarnados) com o plano material (encarnados) através de aparelhos eletrônicos, como gravadores e rádios.

Classificado pela crítica como “suspense”, dado que temas voltados para a vida pós-morte são muitas vezes retratados de forma fantástica no cinema atual, Vozes do Além centraliza a ação na vida de um homem comum, feliz e bem-casado, que perde sua mulher de forma abrupta num assassinato. Esse jovem viúvo, Jonathan Rivers, interpretado pelo ator Michael Keaton (Batman – O Retorno), passa então a tentar comunicar-se com sua amada. Através da TCI, ele recebe mensagens e descobre que pode impedir que o psicopata que tirou a vida de sua mulher faça novas vítimas.

O diretor do filme, Geoffrey Sax, explica seu interesse pelo assunto: “É uma idéia fascinante. Acho que 99 em cada 100 pessoas não perderiam a chance de passar 30 segundos com alguém que não está mais entre nós. Muitos dariam até um ano da sua vida por isso. Eu também daria!”, diz. Geoffrey, que também perdeu pessoas queridas em sua história pessoal, tentou retratar em Vozes do Além até onde iria o desespero de um homem ao tentar manter contato com um ente desencarnado.

O ator Michael Keaton, após aceitar o convite para ser o protagonista, chegou a uma conclusão semelhante: “Nunca havia pensado sobre o assunto, mas quando os dois (Geoffrey e Paul Brooks, o produtor do filme) começaram a me contar histórias de quando perderam seus pais, de como eram ligados a eles e o que dariam para poder ter contato com eles, mesmo que por apenas três segundos, fiquei fascinado e percebi que esse deve ser um desejo universal”.

De fato, a perda de familiares e amigos é sempre bastante dolorosa e provoca marcas profundas em todos nós. É justamente nesse momento de sofrimento que muitas pessoas são levadas a buscar um alento nas doutrinas espiritualistas. A descrença e o preconceito de antes dão espaço à necessidade de se acreditar em algo além da vida material. Assim, a TCI, a psicofonia, a psicografia, a vidência e tantos outros meios de comunicação com os desencarnados são para muitos a comprovação de que precisam para recobrar a paz de espírito.

O personagem Jonathan torna-se obcecado por realizar contato com sua amada e assim cria situações de angústia para sua própria alma. Até onde conseguimos agir com o desapego necessário diante da vida? Perdas existem, não somente através da morte do corpo físico, que nos colocam diante da necessidade de abrir mão de empregos, bens materiais e posições sociais. Saber perder o que antes pensava-se possuir exige desprendimento e fé. A transitoriedade de tudo o que aparentemente possuímos na nossa vida terrena é um fato irrefutável, já que todos esses bens “pertencem a Deus, que os dispensa à sua vontade, e o homem deles não é senão usufrutuário, o administrador mais ou menos íntegro e inteligente.” (cap. XVI, O Evangelho Segundo o Espiritismo). Dessa forma, também a transitoriedade dos relacionamentos com aqueles que amamos na Terra deve ser considerada, já que no Plano Espiritual esses mesmos relacionamentos podem ser ainda mais profundos, felizes e com a dimensão da eternidade.

O treino do desapego com as pequenas coisas da vida nos proporciona maior equilíbrio para as grandes provas, dentre as quais uma das mais difíceis é justamente a perda de alguém que amamos. Trata-se de um exercício diário, que só nos traz benefícios.

A TCI comprova a continuidade da vida e deve, antes, ajudar-nos a alimentar a fé no futuro do que causar laços de dependência. Esperamos que a ciência e as religiões terrenas possam evoluir o bastante para ajudar o homem a perceber que, além do corpo físico, existe uma força maior, eterna e inquebrantável: o espírito. Iniciativas como a desse e de outros filmes podem trazer luz à discussão e acostumar o homem moderno a ver a morte como um fato absolutamente comum, rotineiro e necessário à trajetória de todos nós.