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FUNDAÇÃO LONDRINA USA DESOBSESSÃO COMO TERAPIA
(matéria publicada na Folha
Espírita em fevereiro de 2004)
A Folha Espírita entrevistou
o Dr. Alan Sanderson, psiquiatra,fundador da The Spirit Release Foundation
(Fundação para a Liberação de Espíritos
– ou desobsessão, em linguagem espírita)
O psiquiatra londrino Alan Sanderson começou a
se interessar por assuntos espirituais, especialmente pelo tratamento
da obsessão, há aproximadamente 12 anos, quando conheceu
uma pessoa que lidava com esse tipo de trabalho. Desde então, tem
se dedicado à aplicação dessa terapia, inicialmente
no sistema de saúde pública, no qual encontrou algumas dificuldades,
o que o levou a trabalhar de maneira particular.
Há mais ou menos quatro anos, juntamente com algumas
pessoas, decidiu fundar uma organização que se denomina
The Spirit Release Foundation (Fundação para a Liberação
de Espíritos – ou desobsessão, em linguagem espírita)
e que agora conta com 170 associados. Entre estes não há
muitos médicos, mas terapeutas complementares e pessoas com formações
diversas, tais como psicólogos, aconselhadores, passistas, médiuns,
enfim, pessoas interessadas nesse tipo de trabalho. Segundo Sanderson,
a instituição está crescendo e se desenvolvendo,
o que o faz acreditar que, no futuro, talvez ela possa convidar pessoas
do exterior para lhes falar, facilitando, assim, o intercâmbio e
a troca de experiências com entidades afins.
Quando de minha passagem por Londres, em novembro, realizei
esta entrevista para a Folha Espírita, que contou com a inestimável
ajuda da competente intérprete e querida amiga Ana Sinclair.
FE - Quais os principais objetivos
da Spirit Release Foundation?
Sanderson - Treinar pessoas em spirit release (desobsessão)
para que sejam qualificadas, de acordo com nossos critérios, a
fazer o trabalho e também a divulgá-lo junto aos médicos,
a outros terapeutas e pessoas da comunidade, de modo a explicar a dimensão
espiritual, os benefícios do spirit release e a influência
do spiritual attachment (obsessão).
FE - Quais os métodos de
que se utilizam?
Sanderson - Podem ser divididos de maneira abrangente
em dois: o método que chamamos de interativo, que utiliza estados
alterados da consciência, tais como hipnose, em que se dialoga com
o paciente ou com o espírito através do paciente; e o intuitivo,
em que há muitas maneiras pelas quais pessoas com habilidades psíquicas
podem contatar os espíritos e ajudá-los a partir. A escolha
do tipo de método dependerá das habilidades do terapeuta.
E, naturalmente, se estamos tratando uma criança ou uma pessoa
que mora longe, iremos utilizar o método a distância. Assim,
poderemos nos valer de um terapeuta com habilidades psíquicas ou
dois deles, sendo que um permitirá, através de um estado
alterado de consciência, que o espírito fale por seu intermédio,
enquanto o outro dialogará com o espírito.
FE - Que tipo de resultados tem
obtido para seus pacientes?
Sanderson - Às vezes, são maravilhosos
e rápidos. Mas há outros que demoram a chegar. Não
raramente encontramos pacientes que, por uma razão ou outra, estão
fortemente possuídos. Recomendo-os, então, a alguns colegas
que cuidam desses casos, por exemplo, um que é especialista em
possessões demoníacas. Esse colega trabalha com pessoas
que têm possessões muito severas. Em geral, dedica longos
períodos no tratamento delas, utilizando meditação
do coração para fortalecê-las. Agora, estamos formando
um grupo composto de seis de nós para trabalharmos juntos, na expectativa
de que possamos obter melhores resultados nesses casos mais difíceis.
FE - Como a Medicina
ortodoxa britânica vê o seu trabalho?
Sanderson - A Medicina ortodoxa britânica
não vê nosso trabalho, olha para o outro lado (risos). No
entanto, posso dizer que há, agora, na Real Sociedade de Psiquiatras,
um grupo formado por cerca de 700 pessoas que revelou especial interesse
em assuntos espirituais. Em maio, tivemos um encontro sobre Spirit Release
Therapy (Terapia de Desobsessão), que ficou completamente lotado.
A freqüência a esse evento foi maior do que a de qualquer outro
que tiveram. E isso foi notável, pois nunca esperava poder ter
um encontro na Real Sociedade de Psiquiatras abordando esse assunto. Os
tempos estão mudando e isso é muito estimulante.
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