AOS MÉDICOS ESPÍRITAS:
HOMENAGEM AO 18 DE OUTUBRO

(matéria publicada na Folha Espírita em outubro de 2006)

Dr. Décio Iandoli Jr. é professor titular da cadeira de Fisiologia da Universidade Santa Cecília, em Santos (SP) e vice-presidente da Associação Médico-Espírita do município. Também é autor dos livros Fisiologia Transdimensional e Ser Médico e Ser Humano.

O Espiritismo, como doutrina cristã, tem muito a ver com a Medicina, posto que o médico é aquele que escolheu a solidariedade como meio de vida. Escolheu buscar o bem-estar do próximo e trabalhar pela saúde e o desenvolvimento do outro, usando o estudo e o raciocínio lógico como veículo.

Assim como na religião, é necessária a auto-vigilância na profissão para que não percamos os nossos objetivos fundamentais. Assim, o “orai e vigiai” é também um bom conselho profissional.

Remuneração digna, condições de trabalho adequadas, oportunidade de estudo e aperfeiçoamento, sim, tudo isso é extremamente importante e indispensável para qualquer tipo de atividade profissional e não é diferente com a Medicina e principalmente para ela, cuja faina diária lida com a vida e a dor alheia. Entretanto, é mister lembrar que primordial mesmo é o amor, sem o qual de nada adiantam os quesitos anteriores.

O amor ao próximo, já que não creio que seja possível admitir alguém que busque o bem-estar àqueles aos quais é indiferente ou hostil.

O amor à profissão, amor esse que é decorrente do amor ao próximo, pois só pode ter prazer no trabalho médico aquele que ama seu paciente, dedicando sua atenção e seu conhecimento para ajudá-lo.

O amor a Deus, causa primária de todas as coisas, que nos oportuniza as tarefas de auxílio que, antes mesmo de trazer o benefício ao auxiliado, saneia, organiza, desenvolve e faz feliz a nós mesmos, que praticamos o bem.

Porém, nunca se esqueçam os senhores médicos, mensageiros da Misericórdia Divina, que ao médico não cabe curar, já que só tem esse poder o próprio enfermo, que labuta em busca do equilíbrio. Cabe ao médico o auxílio, o amparo, a condução do mais necessitado ao processo de cura ou paliação.

Creio ser esse um ponto muitíssimo importante que deve ser constantemente lembrado, já que tira dos ombros do médico o pesado e injusto fardo da responsabilidade da cura e lembra ao paciente que só dele depende o tratamento, em essência, e o resultado final.

Toda a arte e a técnica aprendidas são poderosas ferramentas com as quais a Providência Divina armou, e ainda arma, com todo o desenvolvimento tecnológico para possibilitar a recuperação ao doente, mas a onipotência e a soberba, geradas pela ilusão de poder que tais recursos geram, apenas enevoa a visão da realidade, já que o orgulho não combina com o amor, sua motivação primária.

Se ainda houver alguma dúvida quanto a isso, é só nos lembrarmos do maior médico de todos os tempos, que após operar os chamados “milagres” de cura advertia:
– A tua fé te curou, vá e não peques mais.

Que Jesus, o Divino Mestre, ilumine o caminho de todos os médicos, para que nunca se esqueçam dos verdadeiros motivos que os levaram a escolher tão difícil e sacrificada carreira.