OS IDOSOS E A QUALIDADE DE VIDA
(matéria publicada na Folha Espírita em janeiro de 2006)


Walter Graciano Junior

Durante 2005 e parte de 2006 o Instituto Israelita de Responsabilidade Social Albert Einstein realizou um estudo com mais de 500 idosos da comunidade judaica. Denominado “Estudo Epidemiológico da Comunidade Idosa Judaica”, teve como objetivo analisar os processos e fatores determinantes do envelhecimento da população com mais de 60 anos. A avaliação abordou aspectos como qualidade de vida, religiosidade, independência, cognição, depressão, nutrição, atividade física, exame físico com 18 procedimentos (peso, estatura, Índice de Massa Corpórea, entre outros) e ainda realizou mais de 30 exames laboratoriais, como colesterol, hemograma e glicemia. Questionários individuais e em grupo também foram aplicados.

O geriatra Fábio Nasri, coordenador do projeto, acrescenta: “Sabemos que a população em geral está envelhecendo. No entanto, ainda há uma carência de estudos populacionais no Brasil para compreender quem são e quais as necessidades dessas pessoas. Os resultados desse levantamento apontam características epidemiológicas que poderão ser estendidas à população paulistana acima de 60 anos, determinando ações preventivas para o controle das doenças crônicas e também a forma mais adequada de gestão da saúde desse público.”

Após o estudo, chegaram a uma conclusão bastante preocupante, pois essa população vive em constante estado de risco e os de maior destaque são o tabagismo e o consumo de bebidas alcoólicas. Entre os idosos, 38% fumam ou já fumaram, sendo que 40% fumam um maço de cigarros por semana. Outro dado relevante é que 60% fumam ou fumavam há mais de 20 anos. No que diz respeito à bebida alcoólica, 26% do total dos pesquisados são consumidores – 45% pelo menos uma vez por mês, 29% uma vez por semana e 10% todos os dias.

Outro aspecto importante apresentado foi que o índice de idosos que moram em instituições de longa permanência (casas de repouso e asilos) é o dobro do daqueles que moram em suas próprias casas ou com parentes, o que leva a uma predominância nos casos de demência: seis vezes a mais presente naqueles que não moram com suas famílias. “Muitas vezes essas são as causas para a ida do idoso a um local de cuidados profissionais. São doenças que deixam seqüelas e exigem cuidados constantes, o que leva familiares e companheiros a optarem por instituições com serviços especializados”, explica Nasri.

No que diz respeito à depressão, os médicos afirmam que ela aparece na mesma proporção entre homens e mulheres e estava presente em 33% dos participantes. O que deixou os estudiosos perplexos foi a constatação de que 80% dos idosos que não são deprimidos possuem compromissos com crenças, religiões ou possuem vivência espiritualizada. Já os deprimidos, além de menos religiosos, têm menos amigos nas atividades comunitárias. Segundo o geriatra, a constatação de que a religião e o contato com a espiritualidade ou vivência espiritualizada atuam como importante proteção contra a depressão abre novas possibilidades para o seu tratamento.