MÉTODOS ANTICONCEPCIONAIS
(Matéria publicada na Folha Espírita de março de 2007)

Qualquer outra definição para explicar o que são métodos anticoncepcionais não abrangeria sua verdadeira utilidade: eles servem para evitar uma gravidez. A possibilidade de fazer uso de métodos cada vez mais eficazes para programar adequadamente o nascimento de nossos filhos é umas das melhores contribuições da medicina. Lembramos, entretanto, que apenas o uso do preservativo é capaz de evitar as doenças sexualmente transmissíveis.

Suas formas de atuação são as mais diversas e cabe ao casal decidir qual deles é de melhor adaptação, não tem contra-indicações e apresenta o mínimo possível de efeitos colaterais. Por isso é sempre bom saber quais são os métodos existentes e procurar se adequar a algum deles - sempre acompanhado de uma orientação médica. Existem cinco tipos de métodos:

MÉTODOS COMPORTAMENTAIS OU DE ABSTINÊNCIA PERIÓDICA

São aqueles que identificam o período fértil, no qual se deve evitar a relação sexual. Possuem grande índice de falha e necessitam de disciplina por parte de seus usuários. Entre eles estão: tabelinha, controle da temperatura basal, controle do muco cervical e coito interrompido. Este último é totalmente contra-indicado por levar à disfunção sexual do casal.

MÉTODOS DE BARREIRA

Caracterizado por condutas que visam impedir os espermatozóides de subirem através do colo do útero, impossibilitando a fecundação. São eles:

PRESERVATIVO: é uma capa de borracha, muito fina, utilizada pelo homem ou pela mulher (preservativo feminino). Deve ser desenrolada no pênis ereto ou colocada na vagina antes de qualquer contato entre os genitais. É preciso retirá-la imediatamente após a ejaculação, segurando as bordas para impedir que os espermatozóides entrem em contato com a vagina. É necessário usar uma camisinha nova a cada relação.

DIAFRAGMA: anel flexível coberto no centro com uma membrana de borracha fina, que recobre o colo do útero.

ESPERMICIDAS: são produtos químicos em apresentações diversas que se coloca na vagina. Eles matam ou diminuem a ação dos espermatozóides.

MÉTODOS HORMONAIS

São aqueles que possuem substâncias capazes de ocasionar algumas alterações no aparelho genital da mulher. Sua atuação é principalmente nos ovários, trompas, endométrio e muco.

PÍLULAS E INJEÇÕES: provocam mudanças no funcionamento do aparelho genital, principalmente impedindo a ovulação (liberação do óvulo).

EMERGENCIAL (PÍLULA DO DIA SEGUINTE): constituída com alta dosagem hormonal, visa a eliminação da parte interna do útero (endométrio) quando esses hormônios sofrem uma queda repentina na circulação. Para muitos não é considerada abortiva, pois se o embrião já estiver implantado no útero de sua mãe não é capaz de eliminá-lo. Entretanto sua ação cria um ambiente inóspito para um zigoto que surja logo após o seu uso, não evitando, portanto a fecundação. Além disso, a alta dosagem de hormônio pode ocasionar alterações significativas no ciclo menstrual da mulher e por isso, não deve ser usado de rotina (emergencial).

DISPOSITIVOS INTRA-UTERINOS (DIUs)
São dispositivo de plástico colocado dentro do útero, envolto por uma substância que com sua liberação gradativa ocasiona alterações locais. Essa substância pode ser cobre ou hormônio. Em ambos os casos as ação dessa substância não é capaz de impedir a ovulação.

MÉTODOS CIRÚRGICOS

São operações realizadas tanto no homem (vasectomia) quanto na mulher (laqueadura) para interromper definitivamente a capacidade reprodutiva. Na maioria das vezes são irreversíveis.

ANTICONCEPÇÃO SEGUNDO O PARADIGMA MÉDICO-ESPÍRITA

O posicionamento da Associação Médico-Espírita do Brasil e suas regionais foi expresso na Carta de Princípios, elaborada no II Encontro Internacional de Médicos Espíritas e IV Congresso Nacional da Associação Médico Espírita do Brasil em 21 de junho de 2003. Nela fica que considerando os direitos do embrião desde o encontro dos gametas masculino e feminino, somos favoráveis apenas a métodos anticoncepcionais capazes de impedir a fecundação. Além disso, somos contrários a qualquer método que interrompa ou dificulte o desenvolvimento do embrião.

Assim, entendemos melhor porque alguns métodos que no meio espírita são considerados abortivos, não possuem no meio médico tal denominação. Entre eles, destacamos a pílula do dia seguinte e o DIU. No meio científico considera-se abortivo apenas as intervenções que eliminam o embrião após a fixação (nidação) no útero. Porém, uma vez que sabemos que o espírito está ligado ao zigoto desde o encontro dos gametas de seus pais, qualquer método que dificulte sua implantação no endométrio está desperdiçando uma valiosa oportunidade de evolução na trajetória do espírito.

Caso seja imprescindível à mulher o uso do DIU, devido a não adaptação a outros métodos anticoncepcionais, indicamos que no período fértil o casal associe algum método de barreira, evitando assim que o óvulo seja fecundado. 

O paradigma médico-espírita nos permite olhar para a gestação como uma série de eventos que ultrapassam em muito os aspectos físicos. Assim, a escolha de métodos anticoncepcionais envolve responsabilidades maiores do que muitos possam imaginar. E nada melhor do que a informação para nos ajudar em nossas decisões.