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Mídia e violência Cláudia Santos Sabemos que a violência não é uma invenção da mídia, mas sua exposição, cada vez mais freqüente e em forma de espetáculo, tem nos deixado em um estado de letargia, em que somente acontecimentos cruéis nos fazem parar, pensar e até nos manifestar a respeito, tamanha tolerância que criamos dentro de nós e que nos tira a capacidade de indignação. Mas, afinal, a mídia está errada em divulgar notícias que dizem respeito à violência? Claro que não. Ninguém quer que haja sonegação de informações, mas deve-se saber contextualizá-la. Pesquisas Pesquisas recentes apontam que a visibilidade excessiva do crime é uma das formas de potencializar a violência. "E a cultura da violência faz isso: induz-nos a pensar que tudo está perdido. Que vamos ser assaltados a qualquer momento. A pessoa fica paralisada e aterrorizada de tal forma que nem sai mais de casa e continua assistindo a programas de violência. Logo vem a depressão, originada pelo medo, pavor, fazendo o indivíduo viver pela metade, como um zumbi, sem um sentido maior para a vida”, opina Girão. De fato, como é explicado através da Física Quântica no filme Quem somos nós?, a energia dos nossos pensamentos cria realidades. Se pensamos coisas boas, atraímos coisas boas. Mídia impressa Nélson Nunes, editor executivo de um jornal paulista, acostumado a fazer a primeira página e, portanto, a classificar as matérias de mais relevância nas edições, admite que o noticiário policial tem grande importância para os veículos. “Seria hipocrisia negar. Isso ocorre porque a violência hoje é um dado que impacta a vida de toda a sociedade. Ninguém está livre de um novo golpe, de um assalto e até de um seqüestro, que hoje virou uma ação banal para os bandidos. Os veículos de comunicação passaram a tratar a questão da violência urbana com uma abordagem mais ampla, que vai além do crime pelo crime, do sangue pelo sangue”, diz. Vocação Um dos grandes desafios da comunicação na sociedade atual, segundo aponta Jaime Carlos Patias, mestre em Comunicação pela Cásper Líbero, é o de preservar a autêntica vocação do jornalismo, que tem uma função mediadora do espaço público. “A garantia do direito à informação e à liberdade de expressão faz parte da essência do jornalismo, que deve praticar uma comunicação voltada para a informação, para a formação e educação do povo, favorecendo o exercício da cidadania”, analisa. Campanha e prêmio pregam a paz Pautada na discussão sobre a exposição da violência na mídia, foi aprovada, durante o Encontro Nacional dos Jornalistas em Assessoria de Comunicação, de 29 de março a 1º de abril, em Fortaleza (CE), a campanha “Eu quero é paz” e “Frente pela Paz”, assim como a criação da ONG Boa Notícia. Através dela, cria-se o compromisso pela paz em que a sugestão de pautas positivas deve se sobrepor à violência que atinge o País. Dados preocupantes Segundo a ONG MOVPAZ - Movimento Internacional pela Paz e Não-Violência, as crianças brasileiras assistem, entre os 3 e 10 anos de idade, a 107 mil cenas de violência e a mais de 40 mil de tiros por ano. No Ceará, chega-se ao cúmulo de 13 horas diárias de programas de 'mundo cão' na TV. É recorde no Brasil. Um grupo de estudantes da Universidade de Fortaleza (CE) pesquisou a reação da comunidade aos inputs de programas policiais. A conclusão é que o acusado fica respeitado e famoso quando aparece na tevê. E as crianças, carentes de educação e bons exemplos, o vê com admiração, ou seja, ele acaba sendo referência para aquele grupo de jovens. Cultura da violência ou da paz? Você decide Abaixo, reproduzimos trecho de e-mail enviado por Luiz Eduardo Girão à profissionais da imprensa e sobre o qual vale a pena refletir : (...) “Os protagonistas deste horrendo espetáculo alcançaram requintes de masoquismo, fazendo com que na cena do crime se vejam pessoas querendo aparecer e rindo da própria desgraça. Com isso, a corrente do mal ganha força, criando novos 'super-heróis' e levando milhares de espectadores a se tornarem ávidos por cinco minutos de fama. Até porque o criminoso vira um astro de tevê nesses programas policiais. Este círculo vicioso, retroalimentado pela própria sociedade (empresas que anunciam em programas de violência), reforça a inversão dos valores do ser humano, o ter em vez do ser, gerando mais violência por deixar as pessoas mais tolerantes a ela... (...) Quem patrocina programas com teor violento poderia direcionar o investimento para a cultura da paz, automaticamente contribuindo para um mundo melhor. Esses, sim, serão os empresários socialmente responsáveis. E o público tem um poder precioso em mãos: não consumir e até fazer campanha contra marcas anunciadas em programas que estimulam a violência. É questão de sobrevivência: se não descobrimos isso pelo amor, descobriremos pela dor.” Quem quiser mais informações sobre o trabalho da ONG Boa Notícia pode enviar e-mail para legirao@hotmail.com e sobre o prêmio da Revista Imprensa, midiadapaz@portalimprensa.com.br e telefone (11) 2117-5308.
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