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| TESE DE DOUTORADO DA USP ESTUDA O PERFIL DOS MÉDIUNS ESPÍRITAS (matéria publicada na Folha Espírita em agosto de 2005) A Folha Espírita entrevistou o Dr Alexander Moreira de Almeida, coordenador do Núcleo de Estudos de Problemas Espirituais e Religiosos (NEPER) do Instituto de Psiquiatria HC-FM-USP O psiquiatra Alexander Moreira de Almeida, 31, apresentou, em fevereiro, sua tese de doutorado na banca examinadora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP) com o tema “Fenomenologia das experiências mediúnicas, perfil e psicopatologia de médiuns espíritas”, em que analisou o perfil de médiuns espíritas e sua convivência com outras pessoas da sociedade. A pesquisa, feita sob orientação do professor Francisco Lotufo Neto, estudou o perfil sociodemográfico e a saúde mental de 115 médiuns espíritas da cidade de São Paulo, analisando o histórico de suas experiências mediúnicas e sua adequação social. A conclusão da pesquisa mostrou a diferenciação do perfil que é habitualmente apresentado na literatura científica, como pessoas com baixa escolaridade e renda e apresentando algum transtorno dissociativo ou psicótico. Os médiuns analisados apresentaram “alto nível socioeducacional, baixa prevalência de transtornos psiquiátricos e razoável adequação social”, define Almeida no resumo de sua tese. A proporção de médiuns que apresentou algum sintoma de transtornos mentais foi menor do que a encontrada na população em geral. A pesquisa de Almeida constatou que 76,5% dos médiuns eram mulheres, a idade média era de 48 anos, menos de 3% estavam desempregados e 46,5% tinham curso superior e seguiam a Doutrina Espírita, em média, há 16 anos. A pesquisa mostrou ainda que “a maioria dos médiuns estudados teve o início de suas manifestações mediúnicas na infância, e essas, atualmente, se caracterizam por vivências de influência ou alucinatórias, que não necessariamente implicam num diagnóstico de esquizofrenia”. Os médiuns participantes do estudo trabalham em nove centros espíritas kardecistas da Aliança Espírita Evangélica, em São Paulo. Procedimentos Com o resultado dessa primeira parte da pesquisa, foram selecionados 24 médiuns que foram analisados pelo SCAN (Schedules for Clinical Assessment in Neuropsychiatry) – uma entrevista psiquiátrica padrão – e pelo DDIS (Dissociative Disorders Interview Schedule), que aponta a presença ou não de transtornos dissociativos (quando uma parte da mente funciona de forma independente) de 11 sintomas para o diagnóstico da esquizofrenia, tais como: vozes dialogando na sua cabeça, comentando suas ações, ter suas ações produzidas ou controladas por alguém fora de você. “Os médiuns apresentaram, em média, quatro deles, mas a presença dos sintomas não indicou a existência de nenhuma doença mental”, afirmou Almeida. Não foi estabelecida nenhuma correlação entre freqüência de atividades mediúnicas e problemas mentais ou desajuste social. A tese de doutorado de Almeida confirma o que o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra: o crescimento da proporção de espíritas no Brasil conforme aumenta a escolaridade da população. Segundo o IBGE, o Espiritismo ocupa a quarta posição entre as religiões praticadas no Brasil, e é a segunda opção religiosa de 40 milhões de brasileiros. O IBGE mostra ainda que o Brasil é o país com a maior população espírita do mundo. "Precisamos de mais pesquisas" Folha Espírita – Até
onde já se chegou com as pesquisas em espiritualidade e saúde? FE – Até onde ainda
falta caminhar? FE – Qual o impacto que o
envolvimento religioso tem sobre a saúde física e mental? FE – Como realizar diagnóstico
diferencial entre uma experiência religiosa e um problema mental? |
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