O ATO PÚBLICO DO DIA 24 DE MARÇO
(EDITORIAL DA FOLHA ESPÍRITA DE ABRIL)

Foi muito bom ver a Praça da Sé cheia de gente, gritando, a uma só voz, palavras de ordem contra o aborto. Católicos e espíritas compareceram ao ato público, em 24 de março, em maior número, aliando-se aos irmãos evangélicos e aos de outras religiões, com o objetivo de protestar contra o projeto de Lei 1.135/91, que tramita na Câmara Federal e visa legalizar o aborto até o nono mês de gravidez. Foi muito bom constatar a convicção de Dom Nelson Westrupp, presidente do Conselho Episcopal Regional Sul 1 – CNBB, de Dom Fernando Figueiredo e do padre Marcelo Rossi, comandando com entusiasmo a luta contra o aborto, bem como a de outros clérigos. Também foi muito bom ouvir novamente a voz abalizada do jurista Ives Gandra Martins, grande defensor da vida.
Entre os espíritas, Cesar Perri, pela Federação Espírita Brasileira, Marlene Nobre, pela AME-Brasil, e Durval Rezende, pela Abrame, expressaram igualmente o seu protesto contra o projeto de lei, conclamando a todos para a defesa do embrião. O deputado federal Luiz Bassuma, presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Vida – Contra o Aborto, fez um breve histórico e trouxe um posicionamento novo e preocupante, que começa a ganhar corpo no Parlamento. Inicialmente, lembrou o feito memorável de 7 de dezembro de 2005, por ocasião da realização do Primeiro Seminário em Defesa da Vida Contra o Aborto, ocorrido na Câmara Federal, que impediu por um voto apenas que a Comissão de Seguridade Social enviasse o projeto à votação em plenário, onde os abortistas tinham maioria. Bassuma falou também sobre a novidade preocupante: a Comissão de Justiça aprovou a realização de um plebiscito para o aborto e já enviou o projeto ao Senado para a votação em plenário. Antes da realização do plebiscito sobre as armas, não tínhamos preocupação alguma com o plebiscito sobre o aborto, porque a maioria do povo brasileiro é contra, agora, porém, estamos receosos, porque sabemos como o anterior foi manipulado, a começar pela maneira matreira com que foi feita a pergunta que deveria ser respondida pela população.
Por tudo isso, concluímos que esta é a hora de definições. E o alerta parte de Freitas Nobre, o fundador da Folha Espírita, em mensagem psicográfica:

Caros amigos,

Pensemos um pouco na importância do comprometimento com uma causa.
Há os que se apaixonam por causas temerárias, que levam à violência e à desagregação, assim como os há comprometidos com a paz e a união entre as criaturas humanas.
Por trás de uma idéia vencedora existe um comprometimento substancial de mentes que se congregam para torná-la realidade.
O mundo vive hoje um momento único em que as criaturas humanas são livres para decidir quanto ao que desejam fazer da vida.
Não pense, porém, que você está sozinho nas idéias que elege como prioritárias em sua existência, por detrás de seus olhos, mãos e pés agem aqueles que puxam as cordas da marionete. A adesão da vontade, porém, será sempre sua, definindo o rumo a ser perseguido e o objetivo a ser alcançado.
Se você se decidir pelo bem, encontrará uma parede imensa que tentará bloquear a sua atividade, mas não se arrependerá, quando, mais tarde, buscar a companhia dos que o assessoraram na eleição e permanência no caminho reto.
Se você escolher a porta larga, aliar-se aos que somente gozam o presente, preocupado com as questões passageiras do mundo, sem comprometimento senão com o supérfluo, o negativo, o transitório, prepare-se para viver futuramente nas faixas mais próximas da crosta – o umbral mais denso – local com o qual você já está mentalmente comprometido.
É chegada a hora das grandes definições.
Eleja uma via nítida para você. Comprometa-se, com clareza, sabendo exatamente o que deseja fazer.
Há um grande ato público, no dia 24 de março, na Praça da Sé.
Comprometa-se com o Direito à Vida. Defenda o mais fraco. Não deixe passar a oportunidade de dizer não ao aborto.
O Brasil não pode se comprometer com a violência e o desamor. Para que isso não venha a ocorrer, é preciso que você exerça a sua cidadania: diga, claramente, aos governantes, o que você não quer, não deseja para o seu país.
Repetimos: a hora é de definição. Não podemos deixar essa decisão tão-somente por conta dos que se crêem donos da nação. O País é de todos.
Imitar o primeiro mundo no que ele tem de pior não pode ser a vocação do terceiro mundo, sobretudo do Brasil, que tem toda uma tradição de luta em favor da paz e da fraternidade.
Comprometa-se, pois, com a vida, causa melhor não existe.

Freitas Nobre

(Mensagem psicográfica recebida por Marlene Nobre, em reunião do Grupo Espírita Cairbar Schutel, na noite de 6 de março de 2007).