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A CONSTRUÇÃO DA ESPIRITUALIDADE NA MEDICINA
Por Dra. Marlene Nobre
Presidente da AME-Brasil
Cada vez mais, “minorias criativas” (1) buscam a integração
entre Fé e Razão, tendo em vista que é impossível
compreender o mundo, o universo e o próprio ser humano, sem as
luzes de um paradigma, de um modelo, que contemple todas as áreas
das cogitações humanas. As revoluções conceituais
da física , no século XX, muito contribuíram para
essa nova visão da realidade, demonstrando que a matéria
cedeu lugar à energia, o tempo é variável, o movimento
descontínuo, a interconectividade não localizada, e a consciência
é capaz de influir nos eventos, selecionando possibilidades. Nesse
novo tempo, especialistas passaram a enxergar o ser humano de forma integral,
conectado a uma imensa rede invisível, que engloba todas as coisas,
do micro ao macrocosmo, e não têm nenhum pudor em reconhecer
a complementaridade entre Ciência e Religião, valorizando
a integração da Espiritualidade à vida humana.
Neste site, você acompanhará todos os desdobramentos
do novo paradigma para a saúde proposto pelo Espiritismo e também
notícias de outras propostas de Medicina e Espiritualidade. Esperamos
que ele possa lhe ser útil.
Cada vez mais, “minorias criativas” (1)
buscam a integração entre Fé e Razão, tendo
em vista que é impossível compreender o mundo, o universo
e o próprio ser humano, sem as luzes de um paradigma, de um modelo,
que contemple todas as áreas das cogitações humanas.
As revoluções conceituais da física , no século
XX, muito contribuíram para essa nova visão da realidade,
demonstrando que a matéria cedeu lugar à energia, o tempo
é variável, o movimento descontínuo, a interconectividade
não localizada, e a consciência é capaz de influir
nos eventos, selecionando possibilidades. Nesse novo tempo, especialistas
passaram a enxergar o ser humano de forma integral, conectado a uma imensa
rede invisível, que engloba todas as coisas, do micro ao macrocosmo,
e não têm nenhum pudor em reconhecer a complementaridade
entre Ciência e Religião, valorizando a integração
da Espiritualidade à vida humana.
Foi assim que ganhou impulso, na década 1970,
uma dessas minorias criativas, formada por médicos que buscam implantar
nas universidades estudos de Medicina e Espiritualidade. Sob essa denominação,
já há cursos regulares ou opcionais, e também de
pós-graduação, em 2/3 das universidades americanas,
entre outras, nas Escolas Médicas de Harvard, com Herbert Benson,
judeu, de Duke, com Harold Koenig, católico, do Novo México,
com William Miller, luterano. Afirmamos, com renovada alegria, que nós,
médicos espíritas, fazemos parte de uma dessas minorias
criativas que tenta levar Espiritualidade às universidades, porque
os fundamentos da Medicina Espírita estão em sintonia com
o que é realizado, hoje, na maioria das universidades norte-americanas.
A obra do ilustre físico e humanista Fritjof
Capra, especialmente, O Ponto de Mutação , está na
vanguarda dessa luta em favor de um novo paradigma para a humanidade,
em particular para a Medicina, com sua proposta de Assistência Holística
à Saúde, que contempla o ser humano integral – Mente-Corpo.
Nessa luta por um novo modelo de saúde, engajou-se também
o físico quântico, Amit Goswami, com sua teoria sobre a Consciência,
exposta em sua obra, especialmente, O Universo Autoconsciente. Nela, ele
sustenta que a Consciência está fora da matéria, sendo,
na verdade, fonte criadora do mundo material.
Hoje, tanto quanto nos séculos XIX e XX, há
fortes evidências científicas da existência do Espírito.
Pesquisadores, em sua maioria não espíritas, têm investigado
casos de Experiências de Quase Morte (EQM), Visões no Leito
de Morte, Experiências Fora do Corpo, Transcomunicação
Instrumental e Reencarnação, acumulando evidências
em favor da sobrevivência da alma.
O neuropsiquiatra, Peter Fenwick, os cardiologistas
Michael Sabom e Pim Van Lommel, os psiquiatras, Raymond Moody Jr , Elizabeth
Kübler-Ross e Sarah Kreutziger, o pediatra Melvin Morse, os psicólogos,
Kenneth Ring, Phillis Atwater e Margot Grey, entre outros, relataram casos
de EQM, contando o que centenas de sobreviventes da morte vivenciaram,
quando foram considerados clinicamente mortos. A conclusão dos
pesquisadores e dos sobreviventes é de que algo imaterial sobrevive
à morte do corpo físico.
Na alentada obra Reincarnation and Biology, de Ian Stevenson
, professor de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de
Virgínia, EUA, constatamos também, nos 2.600 casos pesquisados,
não apenas evidências da sobrevivência do espírito,
mas igualmente da reencarnação, podendo-se acompanhar, inclusive,
a correlação entre as marcas de nascença e os defeitos
congênitos da existência atual com as vivências anteriores.
Hoje, já há centenas de trabalhos publicados
em revistas científicas prestigiadas, como The Lancet, New England
Journal of Medicine; British Medical Journal, JAMA etc. sobre o valor
da prece na terapêutica (ver site: www.ncbi.nlm.nih.gov, do NIH).
Do mesmo modo, experiências realizadas pelo psicólogo brasileiro,
Júlio Peres, em parceria com o neurocientista, Andrew Newberg,
da Universidade da Pensilvânia, EUA, evidenciaram áreas do
cérebro em funcionamento, que são ativadas e rebaixadas,
durante as sessões de Terapia por Regressão de Memória,
realizadas com pacientes do Instituto Nacional de Terapia de Vivências
Passadas (INTVP) do Brasil. Essas pesquisas, somadas às que o dr.
Newberg realizou com pessoas em estado de vigília e meditação,
mostram um campo promissor para o estudo do Espírito e sua atuação
sobre a matéria.
No Japão, Massaru Emoto, após 8 anos de
investigação, publicou o livro, Messages from the Water,
mostrando como a água pode formar cristais perfeitos ou não,
conforme a ação exercida sobre ela pelos pensamentos e sentimentos
humanos. Tanto as experiências de Andrew Newberg e Júlio
Peres, quanto as de Massaru Emoto trazem subsídios importantes
para validar a Terapêutica Complementar Espiritual e entreabrem
novos campos para a pesquisa em medicina energética.
Hoje, com o progresso vertiginoso da Ciência e,
igualmente, o aumento maciço das doenças da alma, é
imperioso que esses cursos de Medicina e Espiritualidade se multipliquem
nas Escolas Médicas do mundo. A mudança de mentalidade,
porém, não é nada fácil. Há três
séculos, a ênfase tem sido para a visão de um ser
humano esquizofrênico, dividido entre as investigações
científicas e a busca religiosa, consideradas e alimentadas como
irreconciliáveis. Esse paradigma antigo, materialista reducionista
, está calcado no predomínio do egoísmo sobre o amor,
do intelecto sobre o sentimento, e tem sido responsável pelo recrudescimento
da violência, da ambição sem freios, dos vícios,
da intolerância religiosa e das grandes desigualdades e calamidades
sociais. Nele, o ser humano é reduzido tão-somente às
funções neuroquímicas do cérebro, destituído
de qualquer elemento imaterial que anime suas células. Com esse
modelo, não haverá paz no mundo.
Contra ele, a favor da integração espírito-matéria,
coloca-se o movimento em prol da Medicina e da Espiritualidade. Com a
preponderância deste modelo, que tem na solidariedade uma de suas
importantes vigas-mestras, acreditamos que os médicos estarão
muito mais aptos a lidar com a dor humana, esforçando-se por diminuir
os sofrimentos e angústias dos seus irmãos em humanidade.
Notas: (1) Expressão do historiador
Arnold Toynbee, que designa grupos minoritários de pessoas, defensoras
de mudanças evolutivas, em contraposição, à
grande maioria, arraigada à mentalidade arcaica.
(2) Tese desenvolvida no seu livro O Universo Autoconsciente
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