DÚVIDAS

Anencefalia e os riscos para a mãe – Dra. Marlene Nobre, AME-Brasil e Internacional
Esquizofrenia na visão espiritual – Dr. Roberto Lucio Vieira de Souza, AME-Brasil
Fenômenos de desdobramento – Dr. Jorge Cecílio Daher Júnior, AME-Goiás
Espírito mantém a consciência no coma ? – Dr. Gilson Luis Roberto, AME-Brasil

Anencefalia e os riscos para a mãe
(Folha Espírita, novembro de 2008)

Recentemente, li um artigo na Folha Espírita sobre anencefalia. Assinado pela presidente da AME-Brasil, Marlene Nobre, em nenhum momento ele tratou dos riscos que a mãe tem ao levar até o final a gravidez de um anencéfalo. É possível que o líquido amniótico fique excessivo e aumente e muito o volume da barriga. Isso é algo sério e que pode levar até a uma hemorragia. Acho que para se falar sobre esse assunto devem ser abordados todos os aspectos. No caso de risco, vale o ensinamento de O Livro dos Espíritos, que diz que não se deve pôr em risco uma vida já em andamento. (Maria José Alves, São Paulo – SP)

Cara Maria José,
O polidrâmnio é muito freqüente na gestação de um anencéfalo, entretanto, o risco maior é para o feto e não para a mãe, e um acompanhamento pré-natal feito por um profissional que esteja disposto a conduzir o caso ao seu termo reduz o risco materno ao de qualquer outra gravidez.
Creio que você deveria ler de novo O Livro dos Espíritos e verificar o que os espíritos dizem sobre o assunto: só é permitida a interferência na gestação no caso de risco iminente de morte para a mãe. Nem o câncer é risco iminente e nem o polidrâmnio, portanto, não há permissão de se provocar o abortamento, segundo a Doutrina Espírita. Em ambos os casos e nos demais que surjam na gestação, a gestante submete-se a tratamento e leva a gravidez até o fim.
É preciso lembrar que risco iminente é, por exemplo, uma grave hemorragia, com perda de grande quantidade de sangue, ou algum outro acidente grave. Nesse caso, não há dolo ou intenção de matar o feto, mas de salvar a mãe.
Sem ela, o feto não sobreviverá de modo algum. O anencéfalo precisa do corpo físico para refazer o seu perispírito lesado. Convém estejamos com o coração aberto à misericórdia.
Confiemos na sabedoria divina.

Marlene Nobre, presidente das Associações Médico-Espíritas do Brasil e Internacional

Esquizofrenia na visão espiritual
(Folha Espírita, setembro de 2008)

Gostaria de saber como é vista a esquizofrenia no mundo espiritual, ou melhor, como ela é relatada. (Elenita Queiroz, Rio Verde – GO)

A esquizofrenia é uma doença de múltiplas causas, pois se origina da conduta complicada em vidas passadas, envolvendo abuso da inteligência, poder, além de homicídios e suicídios. Com isso, as marcas genéticas são expressões das marcas espirituais, oriundas desse passado de dificuldades. A criatura escolhe ou é levada a escolher pais que tragam essa carga genética, predispondo-se à doença. Na nova oportunidade da reencarnação, as situações familiares e sociais podem agravar a condição daquele que já traz a predisposição, e a sua permanência numa postura de pouca mudança moral e espiritual desencadeará o quadro. Do nosso ponto de vista, obsessão não é causa de nada, é efeito da postura moral inferior da criatura, de um passado culposo, que abrem espaço para que espíritos vingadores, ou espíritos ainda voltados ao mal, desencadeiem as situações presentes na intimidade do ser. O afastamento de entidades espirituais sem a reforma íntima da criatura não melhorará o estado do doente. É fundamental o tratamento medicamentoso, para equilibrar o funcionamento cerebral, fortalecendo a normalidade de ação, dando condições para que o paciente se proteja da ação dos espíritos inferiores.
É preciso submeter-se a uma terapia, para o autoconhecimento e mudança de atitude interior. O tratamento espiritual é complementar, mas a evangelhoterapia é o recurso de mudança de profundidade, que fornecerá renovação perispiritual, diminuindo a gravidade do quadro nesta vida e possibilitando que, em nova encarnação, o paciente possa ser curado.

Roberto Lúcio Vieira de Souza
Vice-presidente da AME-Brasil

Fenômenos de desdobramento
(Folha Espírita, outubro de 2008)

De uns tempos para cá, venho tendo muita falta de ar, dores no peito e palpitações, mas, sempre que isso ocorre, normalmente três dias depois, acontece algo trágico. Há aproximadamente um ano, sempre quando estou dormindo, sinto meus pés ficarem gelados e, depois disso, meu corpo inteiro trava, não conseguindo me mexer de jeito algum e nem abrir olhos. Mesmo assim, sei de tudo o que acontece ao meu redor, consigo escutar e enxergar. Há pouco tempo, enquanto dormia, senti como se uma pessoa me desse um beijo na testa. Quando abri os olhos, vi minha avó, falecida há oito anos, saindo do meu quarto, toda vestida de branco. Logo em seguida, meu corpo gelou inteiro e novamente fiquei com ele todo travado. Todas as vezes que isso acontece, sempre acabo sonhando com a minha avó, tentando me dizer alguma coisa. Da última vez, ela me perguntou se eu queria saber o porquê de estar acontecendo aquilo comigo, e eu disse que sim. Mais uma vez ela voltou a perguntar, com voz firme, e afirmou que mais tarde eu ficaria sabendo! Todas as vezes que isso acontece tudo volta ao normal quando começo a rezar o Credo. O que quer dizer tudo isso? (Suzana dos Santos Pereira, Ilhabela – SP)


Querida Suzana,
Os fenômenos psíquicos, ou extrafísicos, estão além da capacidade de compreensão das pessoas em geral e mesmo das religiões, ainda que tenham formado a base de todas as revelações proféticas e também do Espiritismo.
O que tem acontecido com você, querida irmã, é o que chamamos de desdobramento do perispírito (ou corpo astral, segundo muitos). Isso acontece porque nossa constituição mais íntima vai além do corpo físico e alcança a alma, que nada mais é que o espírito eterno ligado a um envoltório fluídico, semimaterial, chamado perispírito.
No sono fisiológico, normal, o perispírito deixa o corpo físico, como envoltório do espírito, carreando consigo nossa essência eterna. E nosso cérebro registra esse desdobramento como sonhos, mas as lembranças nem sempre são claras. No desdobramento do perispírito, geralmente induzido espontaneamente ou, em casos especiais, por algum espírito, o cérebro mantém a consciência, e a saída do perispírito do corpo físico é registrada lucidamente, acompanhada de sensações físicas, geralmente muito agradáveis, mas um tanto incomuns, a ponto de assustar quem não tem o chamado costume com esses fenômenos, que você registrou muitas vezes como “tranco no corpo”.
Fatores físicos podem predispor ao desdobramento do perispírito, como estresse e fadiga física excessiva, estados febris, algumas doenças toxêmicas que causam febre alta, entre tantas coisas. Substâncias químicas também provocam esses fenômenos.
Recomendamos a você a prática regular da oração e a dedicação de poucos minutos na semana para a leitura e comentário do Evangelho, seguida de oração sincera e a certeza de que você está amparada por amigos espirituais leais e dedicados, entre eles, seu anjo da guarda.
Também recomendamos que você estude sobre mediunidade e desdobramento, que é exatamente o que acontece com você quando vê sua avó. Leia O Livro dos Médiuns e O Livro dos Espíritos, capítulo VIII, de Allan Kardec, assim como O Dom da Mediunidade (também em DVD), de Marlene Nobre.
Que Jesus nos abençoe sempre.
Seu servidor em Cristo,
Jorge Cecílio Daher Júnior
Associação Médico-Espírita de Goiás


Espírito mantém a consciência no coma ?

(Folha Espírita, fevereiro de 2008.)

Sou recém-formada em Psicologia. Acredito que ela está muito ligada à espiritualidade. Sempre gostei de estudar livros espíritas, porém nunca me aprofundei na Doutrina. No meu estágio curricular, acompanhei pacientes internados em UTI e houve um caso que me despertou curiosidade: o de uma paciente que saiu do coma e me relatou o período, inclusive as minhas visitas. Fiquei muito interessada. (Maria Ironi da Silva Oliveira, Porto Alegre – RS)


Prezada Maria,
Mesmo em coma, o paciente pode permanecer em contato com a realidade externa através da sua percepção espiritual. Isso fica mais evidente nas experiências de quase-morte (EQMs), em que o paciente, mesmo apresentando um eletroencefalograma sem registro neurológico, tem experiências da realidade nesse período. Se o cérebro não fez o registro, quem o fez? Isso é uma grande evidência que algo além da matéria, o espírito, está presente e mantém a consciência de si e do outro. Continue estudando as obras espíritas e isso será de grande valia na sua profissão.
Um forte abraço.
Gilson Luís Roberto,
Presidente da Associação Médico-Espírita do Rio Grande do Sul